Presidente da Abruem e reitor anfitrião fazem balanço do 60. Fórum Nacional da Abruem

Temática central versou sobre “Governança pública: transparência e controle social na gestão do ensino superior”

O 60. Fórum Nacional de Reitores da Abruem (Associação Brasileira de Reitores das Universidades Estaduais e Municipais) foi oficialmente encerrado, no final da tarde da última sexta-feira (2), pelo presidente da Associação, reitor Aldo Nelson Bona (Unicentro), juntamente com a vice-presidente da Abruem, professora Adélia Carvalho (Uesc), e com o reitor da instituição anfitriã do evento, professor Rangel Junior (UEPB). Bona destacou a valiosa contribuição das discussões realizadas para as instituições aperfeiçoarem suas atividades e agradeceu ao reitor Rangel Junior pela dedicação da equipe da UEPB para o Fórum ter êxito, o que foi reforçado pela professora Adélia Carvalho.

O reitor Rangel Junior afirmou que a UEPB recebeu o evento com grande satisfação e destacou que os debates ocorridos no Fórum foram muito significativos para as instituições, especialmente pela troca de experiências que promoveram, auxiliando as universidades para cada vez mais prestarem um serviço de qualidade e desenvolverem uma gestão pública eficiente. Ele fez um agradecimento especial para os integrantes da equipe da UEPB que trabalharam na organização do Fórum, chamando um a um para frente da mesa oficial do evento, apresentando-os aos participantes e frisando que o empenho de todos, cada um em sua função, foi essencial para o sucesso do Fórum.

Encerramento do 6-. Fórum contou com avaliação do reitor anfitrião, Rangel Junior, do presidente da Abruem, Aldo Bona, e da vice-presidente da instituição, Adélia Pinheiro (Foto: Ascom UEPB)

Balanço
Diante da crise política e econômica que o Brasil atravessa, com cortes cada vez maiores nos investimentos destinados às instituições de ensino superior público, o presidente da Abruem avalia que as universidades têm feito um grande esforço para manter a qualidade do ensino. Aldo Bona disse que a crise afeta todas as instituições do país, inclusive as dos grandes centros, que também sofrem com cortes de verbas destinadas para programas e projetos nas diversas áreas do conhecimento.
Como saída para o enfrentamento desses problemas, as universidades, segundo ele, têm buscado fazer os ajustes necessários, mesmo correndo o risco de afetar a execução de atividades historicamente desenvolvidas pelas instituições. “As universidades não são uma ilha dentro desta realidade que vive o país. E, nesse sentido, nossas instituições estaduais e municipais têm buscado fazer os ajustes necessários para contribuir com o enfrentamento deste processo de crise”, destacou.
Com um cenário desfavorável, ele enfatizou que os reitores de todo o país debateram no Fórum da Abruem um conjunto de ações ligadas às necessidade e estratégias institucionais de transparência e controle social na gestão, com o intuito de assegurar a clareza dos recursos investidos no ensino superior em cada Estado, bem como na transparência de aplicação desses investimentos.
No que diz respeito aos ajustes orçamentários estabelecidos pelos Estados, o presidente da Abruem afirmou que a grande maioria das universidades públicas brasileiras tem sofrido com a escassez de recursos, o que tem exigido um esforço interno para se adequar a nova realidade orçamentária. “Essa é a realidade da grande maioria de nossas instituições. Então, as universidades têm sofrido um processo interno de cortes de muitas atividades e de muitas ações que vinham desenvolvendo historicamente, para se adequar ao novo cenário orçamentário”, afirmou.
Em relação a 60ª edição do Fórum da Abruem, Aldo Bona disse que o evento foi realizado em um período oportuno, coincidindo com um momento delicado pelo qual a UEPB atravessa por causa das restrições orçamentárias e o embate em relação a gestão da sua Lei da Autonomia. Por isso, Campina Grande, segundo ele, se tornou um terreno fértil para se debater problemas que são comuns a todas as universidades públicas brasileiras. Para o presidente da Associação, fazer com que esse debate ocorra em um centro onde se vive claramente o problema da relação Universidade versus Estado, no que diz respeito a retomada da autonomia e das restrições orçamentárias, coloca os reitores receptíveis a temática central do evento.
“Esse é o grande desafio. Como assegurar a qualidade em um cenário de tantas restrições? A gente vive um pouco uma contramão no Brasil em relação à prática de países desenvolvidos e de países em caminho de desenvolvimento”, observou. Ele citou como exemplos países como China e Coreia do Sul, que mesmo a despeito de crises ampliaram os investimentos no ensino superior e em ciência e tecnologia, por entenderem que o avanço nessas áreas poderia propiciar ao país a condição de sair da crise. “Diferentemente disso, no Brasil, o que tivemos foi uma redução no investimento em ciência e tecnologia nesse momento de crise, o que pode ter consequências muito danosas para o país no médio e longo prazo, no que diz respeito a sua efetiva soberania”, alertou Bona. Segundo ele, os cortes orçamentários nas universidades públicas têm sido cada vez maiores, principalmente nos investimentos feitos em programas de pesquisa e extensão, concentrando as atividades de ensino. “Ainda não sabemos quais os reflexos dessas medidas na questão da qualidade”, observou.

Tema oportuno
O anfitrião da 60ª edição do Fórum Nacional de Reitores da Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem), realizado em Campina Grande, o reitor da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), professor Rangel Junior disse que a escolha da temática tratada no evento foi propícia e fundamental para o momento de crise pelo qual o Brasil atravessa.
Rangel destacou que a escolha de Campina Grande para sediar o Fórum da Abruem foi uma forma de solidariedade de todos os reitores das universidades estaduais e municipais brasileiras com a UEPB, que vive um momento de luta pela retomada de sua Autonomia Financeira. Ele observou que a UEPB vive um momento de dificuldade, mas não no sentido da transparência pública ou do controle social. Pelo contrário, esses instrumentos, segundo ele, tem se tornado “armas” importantes da Universidade no sentido de combater aqueles que tentam o tempo inteiro encobrir os verdadeiros problemas que ela enfrenta.
Para o reitor, o grande desafio é fazer valer os princípios fundamentais da legislação que asseguram uma proteção a Universidade no exercício de sua autonomia, principalmente no que garante a autonomia financeira.

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