Austrália 2017: atividades dias 23 e 24 de outubro

Financiamento do ensino superior e da educação internacional mobilizaram debates

A segunda semana de atividades da Abruem (Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais) na Austrália tiveram início com uma agenda com representantes do Departamento de Educação do Governo da Australia: Karen Sanderock, diretora do Departamento; Lisa McGlynn, responsável pelas relações de ensino com o Brasil; Andrew Herd, responsável pelo Setor de Financiamento da Educação; e Stephen Erskine, responsável pelo Setor de Avaliação da Qualidade e Governança.

Reunião com representantes da Universities Australia

A diretora do Departamento de Educação australiano iniciou a reunião com os membros da comitiva da Abruem – formada por reitores, vice-reitores e diretores de Relações Internacionais das universidades afiliadas à Associação – detalhando a atual situação da educação superior na Austrália, sobretudo os debates sobre a questão do financiamento. Karen contou que embora as instituições de ensino superior privadas sejam maioria no país, elas não são a preferência entre os estudantes. Ela fez questão de, ao longo de toda sua explanação, reforçar que o governo australiano tem clareza da importância da Educação para o desenvolvimento do país.

Já Stephen abordou a formação do sistema de Educação Superior da Australia, que é formado por instituições publicas e privadas, e por universidades e faculdades, somando, respectivamente, 43 e 123. Embora as universidades sejam minoria, elas concentram 92% das matrículas. Hoje, no país, são 1,4 milhões de alunos da gradução e pós-graduação. Ainda diferenciando as instituições, Stephen lembrou que apenas as universidades têm autonomia para criar cursos, já as faculdades precisam de autorização para isso. Quanto ao financiamento da educação, ele afirmou que essa é uma responsabilidade do governo federal, que também é responsável pela política de educacional.

O financiamento educacional também esteve no centro da intervenção de Andrew Herd. Segundo o responsável pelo Setor de Financiamento da Educação, os investimentos são seguem duas frentes: a primeira delas é a pesquisa e a segunda o financiamento da educação para os estudantes. Estes, também são classificados em dois tipos. Os subsidiados pelo governo (80% dos estudantes, em média) e os que pagam integralmente pela educação (20% dos matriculados). “O subsídio nunca é integral. Em regra, o estudante paga 42% e o governo 58% do valor total. Mas essa porcentagem varia de acordo com as áreas/cursos e também com o perfil do estudante. Após a integralização do curso, já no mercado de trabalho, esse egresso passa a pagar ao governo pelo financiamento obtido. Porém, esse repasse só inicia quando o profissional obtém uma renda superior a 52 mil dólares por ano, via imposto de renda. Caso ele nunca atinja essa renda mínima, a dívida dele é extinta”, contou.

A estrutura do ensino superior foi abordada durante as agendas do dia 23

O funcionamento da educação superior australiano foi abordado por outro viés por Lisa McGlynn. A responsável pelo relacionamento com as instituições de ensino brasileiras, relatou as as universidades e faculdades têm sua ação baseada em três pilares: o fortalecimento de colaborações, visando o aumento da qualidade; a criação de parcerias transformadoras; e o posicionamento voltado para a competitividade global. Para isso, buscam, dia a dia, o crescimento das parcerias globais, daí o interesse pela América Latina e, em particular, pelo Brasil. Para isso, contam com o programa Endeavour Scholarships and Fellowships, que objetiva financiar estudantes estrangeiros na Australia e australianos em outros países. Essa iniciativa já financiou a mobilidade de quatro australianos para o Brasil e de 43 brasileiros na Austrália.

A segunda agenda da segunda-feira foi com a Associação de Universidades Australianas. A conversa foi conduzida pela coordenadora do Conselho de Universidades Australianas (Universities Australia), Catriona Jackson, mas também estiveram presentes outros membros do Universities Australia – John Wellard e Liz Edlle -, e representantes das próprias instituições de ensino superior – Andrew Kemp, pela University of New England; Innes Ireland, pela University of Technology Sydney; Monica Kennedy, pela Swinburne University of Technology; Ravi Naidu, pela The University of Newcastle; e Evelyn Álvares, por StudyPerth.

Responsável pelo Setor de Relações Internacionais do Universities Australia, John Wellard disse que a Australia é o terceiro destino de estudantes no mundo, atras dos Estados Unidos e do Reino Unido. A educação internacional também é o terceiro elemento de maior peso na economia australiana, ficando atrás apenas da exploração do carvão e do gás, tendo movimentado, em 2016, mais de meio milhão de estudantes.

O país, segundo os representantes do Universities Australia, está vivendo sua terceira onda de educação internacional. A primeira se deu entre 1950 e 1960, quando receberam muitos asiáticos. Depois, nos anos 1990 e 2000, ocorreu a segunda fase, quando houve um boom de recrutamento de estudantes internacionais. Já a terceira etapa diz respeito ao período atual, com o estabelecimento de cooperações globais. O foco atual, porém, está voltada para a Ásia, América Latina e África do Sul.

Terça-feira, 24 de outubro

As atividades com o Departamento de Educação da Austrália foram retomadas na terça-feira (24), contando ainda com a participação do Conselho de Pesquisa do país. A agenda contou com a participação da diretora do Departamento de Educação, Lisa McGlynn, que já havia participando da audiência do dia anterior; de Naomi Ashurst-Depta, do Departamento de Indústria, Inovação e Ciência, de Justin Withers, do Conselho de Pesquisa da Australia; e de Pru Glasson, do Conselho Nacional de Pesquisa em Medicina e Saúde.

A ampliação e o estreitamento das relações entre Austrália e Brasil na área da educação superior foram exemplificados por Lisa McGlynn com o aumento de publicações conjuntas entre pesquisadores dos dois países, principalmente na área da saúde. O número passou de 800, em 2012, para mais de 1.500, nesse ano. Com isso, passou-se a discutir as as possibilidades de parceria, quais são as dificuldades encontradas hoje e de que maneiras elas poderiam ser superadas.

Na ANU, comitiva da Abruem foi recepcionada pelo vice-chancellor da instituição, professor Brian Schmidit

Nesse sentido, mais uma vez, foi reiterado o papel do do programa de bolsas Endevour. “Assim”, relatou o prresidente da Abruem, reitor Aldo Nelson Bona (Unicentro – Universidade Estadual do Centro-Oeste), “combinamos que organizaremos, na Embaixada da Austrália no Brasil, um workshop com os Escritórios de Relações Internacionais das 45 instituições afliadas para tratar deste programa.

Já no período da tarde, os membros da missão internacional da Abruem visitaram a Universidade Nacional da Australia. Lá, essencialmente, três três temas estiveram em discussão. O primeiro delas é o acesso a educação superior e os sistema de financiamento ao estudante. O segundo diz respeito as estratégias de colaboração internacional em pesquisa. Por fim, falou-se sobre o ensino de língua portuguesa na Australian National University.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *