Universidades públicas brasileiras defenderão, na Cres, Ensino Superior como bem público, direito universal e dever do estado

Posicionamento foi tomado conjuntamente pela Abruem, Andifes e Conif

A Abruem (Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais), a Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior) e o Conif (Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e tecnológica) realizaram, no último dia 24, um seminário conjunto para definir o posicionamento que será defendido pelas instituições de Ensino Superior públicas brasileiras, em junho, durante a III Conferência Regional de Educação Superior (Cres 2018), realizada pelo Iesalc/Unesco (Instituto Internacional para a Educação Superior na América Latina e no Caribe/Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

O seminário contou com palestras no período da manhã e debates durante a tarde sobre os sete eixos temáticos propostos pela Cres 2018: 1. Desenvolvimento da Educação Superior frente aos desafios sociais da América Latina e do caribe, coordenada pela Abruem e presidida pelo reitor Haroldo Reimer, da Universidade Estadual de Goiás (UEG); 2. A Educação Superior como parte do sistema educativo na América Latina e no Caribe; 3. Educação superior, diversidade e interculturalidade na América Latina; 4. Educação Superior, internacionalização e integração da América Latina e do Caribe – que teve como coordenador o presidente da Abruem e reitor da Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste), professor Aldo Nelson Bona; 5. O papel estratégico da Educação Superior no desenvolvimento sustentável da América Latina e do caribe; 6. A investigação científica e tecnológica e a inovação como motores do desenvolvimento humano, social e econômico para a América Latina e o Caribe; e 7. 100 anos da reforma universitária de Córdoba – faça-se um novo manifesto da Educação Superior latinoamericana.

Ao final da tarde, durante uma sessão Plenária, cada grupo apresentou, de modo breve, suas contribuições. Agora, está em fase de redação um texto global, com o conjunto das propostas das sete grupos de trabalhos que, na sequência, será analisado e aprovado pelas três associação, como uma construção coletiva, um posicionamento único e conjunto dos sistema público de Educação Superior brasileira em relação ao próprio ensino superior e, também, à ciência e à tecnologia, e aos objetivos de desenvolvimento sustentável estabelecidos pela ONU (Organização das Nações Unidas).

De todo modo, segundo o presidente da Abruem, “em síntese, ficou muito claramente determinado, em todos os grupos de trabalho, a defesa da Educação como um bem público, direito universal e dever do Estado”. Essa posição, prossegue Bona, “pode parecer trivial, mas no contexto em que se vive na América Latina e de modo muito particular no Brasil, essa é uma questão crucial, que precisa ser reafirmada cada vez mais, tendo em vista as políticas de questionamento do papel da instituição pública, do papel do Estado em manter determinadas áreas de formação. Discurso esse que vem sempre muito alinhado a uma ideia de que é preciso discutir cobranças de mensalidade, fazer com que a iniciativa privada assuma a educação e o Estado fique só com determinadas áreas consideradas estratégicas para o país”.

Os presidentes das associações de gestores do Ensino Superior Público exaltam não apenas o resultado da reunião, mas, sobretudo, a aproximações das organizações em torno de uma causa única. “A construção de uma atividade conjunta entre Andifes, Abruem e Conif é, de fato, um ato histórico que já demonstra a cooperação entre as universidades. Se preparar para um evento dessa magnitude e contribuir com os eixos temáticos da Cres 2018 é uma forma de reafirmar o compromisso da universidade pública brasileira com a construção do projeto ideal de país, além, obviamente, de honrar a luta daqueles jovens que, em 21 de junho de 1918, saíram à luta pela construção da universidade latina, sem a influência do modelo institucional europeu, que era predominante à época”, declara o presidente da Andifes, reitor Emmanuel Zagury Tourinho.

O presidente da Abruem compartilha desse posicionamento. “Em vários momentos do nosso encontro foi ressaltado o quanto a iniciativa de congregar as três associações, que reúnem a Educação Pública brasileira, é importante. As universidades federais, as universidades estaduais, os institutos federais precisam trabalhar mais em conjunto no sentido da defesa da Educação Superior pública, gratuita e de qualidade. Uma iniciativa bastante positiva, bastante produtiva e que precisa ser mantida e repetida. Nós precisamos criar mais oportunidades de nos encontrarmos enquanto coletivo da Educação pública, discutindo temas de interesse nacional, de interesse do segmento público”.

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