Nota Oficial sobre o Incêndio no Museu Nacional

Localizado na cidade do Rio de Janeiro, o Museu computava um extraordinário acervo de mais de 20 milhões de itens, inestimáveis para a compreensão histórica e socioantropológica do País

É com grande pesar que testemunhamos estarrecidos – por meio das mídias – o incêndio catastrófico que, no domingo, 2 de setembro, destroçou o Museu Nacional, o maior da América Latina no segmento de História Natural e a mais antiga instituição científica do Brasil. Localizado na cidade do Rio de Janeiro e instalado no Palácio de São Cristóvão, o Museu foi fundado em 1818 por Dom João VI e computava um extraordinário acervo de mais de 20 milhões de itens, inestimáveis para a compreensão histórica e socioantropológica do País.

Vinculado à estrutura administrativa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), o Museu Nacional acolhia preciosos documentos de ordem e interesse variados, compilados ao longo de dois séculos.  O trágico acontecimento revela muito do pouco investimento, ou mesmo do descaso, que tem assolado a educação e a ciência no Brasil. Isso a se agudizar com a decisão recente de congelamento de investimentos públicos por 20 anos. A falta de políticas públicas arrojadas e com financiamento apropriado tem sucateado a maioria dos equipamentos culturais brasileiros e as Universidades, que os administram, porque ano após ano sua capacidade de investimento vem sendo reduzida e sua manutenção, sucateada.

A falta de recursos, sensibilidade humanística e de preparo do poder público fez sucumbir um patrimônio cultural e intelectual inestimável para a humanidade. Quantos outros museus, teatros ou bibliotecas ainda serão destruídos no Brasil por motivos injustificáveis? A memória nacional sofre um duro golpe que precisa ser responsabilizado, porque não há substituição àquilo que é único.

Sentindo-nos aviltados com o doloroso descaso, motivo de inúmeras denúncias já realizadas há anos pela direção da Instituição, manifestamos nossa irrestrita solidariedade – em face da irreparável perda – a todos homens e mulheres que fazem o Museu Nacional e a Universidade Federal do Rio de Janeiro, colocando-nos à disposição para qualquer necessidade técnica correlata e existente nas Instituições de Ensino Superior que compõem a Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais – Abruem.

Preservar, conservar e restaurar tornam-se hoje palavras de ordem!

Haroldo Reimer

Presidente da Abruem/ Reitor da UEG

Brasília, 4 de agosto de 2018.

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