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Missão Hungria 2018: atividades 27, 28 e 29 de junho

Visitas técnicas foram realizadas em Budapeste, Dunaújváros, Szged e Sopron

As atividades da manhã da última quarta-feira, 27 de junho, dos reitores e demais membros da comitiva da Abruem (Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais) que está na Hungria, participando da Missão de Internacionalização 2018 da entidade, foram realizadas na cidade de Duanaújváros, na instituição de ensino superior de mesmo nome. Lá, a recepção e acolhida foram feitas pelo reitor da University of Dunaújváros, István András. Em sua fala, ele lembrou que 69 universitários brasileiros, bolsistas do Programa Ciências Sem Fronteiras, fizeram mobilidade na instituição e que, atualmente, recebe outros alunos do país, vai Erasmus +.

Na sequência, a vice-reitora de Relações Internacionais apresentou a Universidade, que fica localizada na região central da Hungria, em torno do Danúbio, numa pequena cidade, porém fortemente industrializada. Ela contou que a Instituição tem 18 mil alunos e seu foco é a graduação, sendo que os estudantes têm forte inserção na indústria local, onde realizam os estágios. A University of Dunaújváros possui acordos de relações internacionais com 52 países e tem interesse em expandir seu relacionamento com o Brasil. No momento, conta com 200 estudantes internacionais procedentes de 26 países. Para sua política de internacionalização são disponibilizados, anualmente, 140 mil euros.

A Instituição ainda tem como características a oferta de cursos de graduação e, também, de curta duração na modalidade de Educação a Distância, e quase todos eles são ofertados em inglês. Além disso, a Universidade cursos de verão, principalmente voltados para para estudo de línguas estrangeiras.

A visita técnica do período da tarde, ocorreu na Budapeste Business School/University of Applied Sciences, uma instituição pública tradicional, cuja faculdade de Comércio teve início em 1857. Atualmente, são quatro faculdade, 11 cursos de graduação, oito programas de mestrado, um de doutorado e 16 mil estudantes. Como vários de seus cursos são ofertados totalmente em inglês e/ou em alemão, é considerada a escola de negócios mais internacionalizada da Europa. Tem mais de 40 universidades parceiras, nos cinco continentes.

A Instituição prima por uma formação que motive e incentive o empreendedorismo, já que acredita no fim do emprego tradicional. Assim, trabalhar para alterar a visão predominante dos estudantes que, na maioria, pensa em ingressar em uma grande empresa e na formação dessa mentalidade também entre os professores são considerados seus maiores desafios.

Quinta-feira, 28 de junho

A agenda de visitas também começou fora de Budapeste, na University of Szged, localizada na cidade de mesmo nome. A instituição tem 23 mil estudantes e como meta atingir o percentual de 20%, entre os matriculados, de estrangeiros até o ano de 2020. Proporcionalmente, é a cidade mais universitária da Hungria, já que dos 120 mil habitantes, aproximadamente, 30 mil são membros da comunidade acadêmica (estudantes, professores e pesquisadores). A University of Szged é centro de excelência em várias áreas, com destaque para medicina molecular.

A Instituição, fundada em 1581, é formada por 12 faculdades e 52 cursos nas áreas de Humanidades, Artes, Letras, Agronomia, Engenharia, Odontologia, Ciências Sociais Aplicadas, Farmácia, Saúde e Ciências da Informática. Todas as faculdades estão internacionalizadas e oferecem cursos em inglês e em outros idiomas. No total, são 3.550 estudantes estrangeiros, a maioria romenos e alemães.

Sexta-feira, 29 de junho

As atividade de sexta-feira concentraram-se na Sopron University. A cidade de Sopron fica a 210 quilômetros de Budapeste e a 60 de Viena, e tem aproximadamente 65 mil habitantes. São quatro faculdades: Pedagogia, Engenharia Florestal, de Ciências da Madeira e Economia – todas com ofertas de disciplinas em inglês. Os dirigentes da Instituição reforçaram o interesse em parcerias, que possibilitem a dupla diplomação, tanto na graduação quanto na pós graduação.

Missão Hungria 2018: atividades dias 25 e 26 de junho

Três universidades com diferentes perfis foram visitadas pela comitiva da Abruem

A Abruem (Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais) ano a ano promove uma missão a universidades de outros países com vistas a promover a internacionalização das suas 45 instituições de ensino superior estaduais e municipais afiliadas. Em 2018, o destino é a Hungria, onde entre os dias 25 de junho e seis de julho serão serão realizadas visitas técnicas a 15 universidades e centros de pesquisa. A comitiva da Abruem é composta por 21 membros, sendo 12 reitores, três vice-reitores, cinco pró-reitores e assessores de Relações Internacionais e, ainda, o secretário-executivo da Associação.

No primeiro dia em território húngaro, o programa possibilitou a aproximação visando parcerias com três IES. Pela manhã, foi visitada a Szent István University, localizada na cidade de Godölo, e especializada em energias renováveis e agricultura. Já no período da tarde, a comitiva sesteve na Károli Gáspár University, forte na área de humanidades e com um grupo de pesquisa em estudos sobre a América Latina.

A terça-feira, 26, foi dedicada a reuniões e visitas técnicas na Universidade de Tecnologia e Economia de Budapeste. Pela manhã, os membros da comitiva da Abruem foram recepcionados pelo reitor János Józsa, que reforçou o interesse institucional em cooperar científicamente com o Brasil e a admiração pelos estudantes brasileiros. A Universidade, de 236 anos, foi apresentada pela vice-reitora Krisztina Lászió, que detalhou a estrutura da Instituição, que conta com 70 departamentos, oito faculdades, 23 mil estudantes, sendo 1500 provenientes de outros países. Segundo Krisztina Lászió, a Universidade de Tecnologia e Economia considera como áreas prioritárias para o desenvolvimento de pesquisas conjuntas a inteligência artificial e as cidades inteligentes, nanotecnologia, nonociências, biotecnologia, proteção ambiental e saúde.

Durante a apresentação da Universidade também foi destacado seu histórico de cooperação com instituições brasileiras. A Hungria foi o décimo destino mais procurado por alunos beneficiados com bolsas pelo programa Ciência Sem Fronteiras, recebendo mais de 2 mil estudantes brasileiros. E a Universidade de Tecnologia e Economia foi a mais procurada, no país, por esses alunos, a maioria de Minas Gerais e São Paulo. Ressaltou-se que, nesse momento, o programa Erasmus Mundus é o caminho para o fortalecimento da cooperação com o Brasil.

A Abruem foi apresentada pelo presidente da Associação. Além disso, os representantes das 14 universidades associadas integrantes das Comitiva também puderam apresentar suas universidades.

Já durante a tarde, os integrantes da comitiva da Abruem dirigiram-se à Universidade Centro Europeia. Altamente internacionalizada, a instituição conta com professores de 51 países e mais de 1.500 mestrandos e doutorandos oriundos de 117 países que estão, nesse momento, matriculados na Instituição.

Em defesa da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB)

Nota da Abruem rechaça acusações feitas à administração da Universidade pelo Governo do Estado

A Associação Brasileira das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem), entidade que congrega 45 instituições de ensino superior presentes em 22 Estados da Federação e que responde por mais de 40% da oferta de vagas públicas do país, refuta com veemência a nota publicada pelo Secretário de Comunicação Institucional do Governo da Paraíba, senhor Luís Torres, em que acusa o reitor da UEPB de práticas nazistas.

Como qualificar a prática de descumprir leis aniquilando com a educação superior de forma sorrateira, atribuindo a responsabilidade à gestão da Universidade? Leis devem ser cumpridas e a lei de autonomia da UEPB vem sendo ignorada reiteradamente pelo Governo do Estado da Paraíba. Como fazer gestão da Universidade se o que é pactuado não é cumprido? Antes de questionar a gestão da UEPB o Governo paraibano deveria auto-avaliar-se. Assumir compromissos com servidores públicos para fazer média eleitoral e depois não assegurar o repasse de recursos para que a gestão da Universidade honre os compromissos assumidos pelo Governo e, como se não bastasse, acusar a reitoria da prática de terrorismo eleitoral é atribuir a outrem a responsabilidade que recai sobre si mesmo. Ao adiar o início das aulas para as turmas 2018/1 a UEPB está fazendo gestão institucional para adequar-se aos cortes de recursos impostos pelo Governo e não terrorismo político. O excelentíssimo senhor secretário em questão acusa o reitor por ele estar tomando medidas de contenção de despesas e, ao mesmo tempo, denuncia a falta de gestão institucional num cenário de crise. Contradição absurda!!! Que tipo de gestão está fazendo o Estado?

A Abruem presta sua solidariedade ao reitor Rangel e à gestão da UEPB e conclama a sociedade paraibana a defender seu grande patrimônio que é a Universidade Estadual da Paraíba. Não podemos tolerar a destruição da educação pública, nem a prática da violência moral com o uso de calúnias por parte do Governo para mascarar os próprios erros.

Brasília, 26 de junho de 2018.

Aldo Nelson Bona

presidente Abruem

Parlamento do Mercosul aprova declaração em que reafirma a defesa da Educação

Proposta foi apresentada por senadora brasileira

O Parlamento do Mercosul (Parlasur), em sua 55. Assembleia Ordinária, aprovou uma declaração relacionada ao reconhecimento da autonomia universitária e da liberdade de ensino. A proposta, de autoria da senadora brasileira Fátima Bezerra, advogava sobre o valor básico da liberdade de ensino e, assim, defendia a autonomia didático-científica das universidades.

O texto, que foi aprovado pela Plenária, expressa apoio irrestrito por parte do Parlamento do Mercosul aos dirigentes, professores, estudantes e demais atores envolvidos na mobilização em defesa das instituições de ensino superior públicas. A declaração ainda reafirma o compromisso do Parlasur com a defesa da Educação como elemento chave de seu trabalho.

Clique aqui para ler a íntegra da Declaração 13/2018 – “Convicção de que a liberdade de cátedra e a autonomia didático-científica das universidades são princípios basilares dos estados democráticos”.

Abruem e Languages Canada firmam acordo de cooperação

Termo prevê a promoção do aprendizado de inglês, francês e português como línguas estrangeiras

A Abruem (Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais) e a Languages/Langues Canadá firmaram, nesse mês de junho, um Acordo de Cooperação com vistas a promoção do aprendizado de inglês, francês e português como línguas estrangeiras. O documento, assinado pelo presidente da Abruem e pelo diretor executivo da Languages Canada – respectivamente, reitor Aldo Nelson Bona (Unicentro – Universidade Estadual do Centro-Oeste) e Gonzalo Peralta – define como áreas prioritárias o desenvolvimento de programas educacionais, projetos e iniciativas conjuntas que aumentem a proficiência em inglês e francês de professores, servidores e alunos das instituições de ensino superior filiadas à Abruem e do português como língua estrangeira para os membros das comunidades universitárias canadenses.

“A intenção da Abruem ao buscar a parceria com a Languages Canada foi ampliar a possibilidade de internacionalização das universidades associadas. Assim, o acordo firmado busca, por exemplo, além da promoção do ensino-aprendizado de dois dos idiomas mais falados no mundo – o inglês e o francês –, o desenvolvimento de programas de soluções em tecnologia da educação que possibilitem o ensino de idiomas a distância e, também, o fomento de mobilidade educacional e cultural para nossos estudantes, docentes e técnicos”, explica Aldo Bona.

Para ler a íntegra do Acordo de Cooperacão, clique aqui.

Defesa das universidades públicas tem nos encaminhamentos da Cres 2018 grandes aliados

América Latina e Caribe mantêm posição de que Educação Superior é um direto do cidadão e um dever do estado

“Ao finalizarmos a terceira edição da Conferência Regional de Educação Superior para a América Latina e o Caribe, precisamos ter claro que ela não poder ser uma foto, e sim um filme em construção da Educação Superior que queremos para a região”, defendeu o organizador-geral da Cres 2018, professor Francisco Tamarit. Para isso, os participantes e as instituições de Ensino Superior como um todo contam com dois documentos: a Declaração Final da Conferência de 2018 e o Plano de Ações decorrente das discussões empreendidas ao longo de quatro dias, em Córdoba, na Argentina.

O presidente da Abruem (dir) na cerimônia de encerramento da Cres 2018 (Foto: Ariane Pereira)

A Declaração é o fechamento do processo de construção conceitual que teve início juntamente com a preparação da Conferência há três anos. É um instrumento político. Já o Plano de Ação é a concretização das propostas apresentadas nos encontros preparatórios e, principalmente, durante a Cres, que deve ser implementado a partir de janeiro de 2019. “Nossa meta”, esclarece o diretor do Iesalc (Instituto Internacional para a Educação Superior na América Latina e no Caribe) – entidade ligada à Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) -, Pedro Guajardo, “é que a Declaração se converta em propostas permanentes. Já o Plano tem duração de dez anos, até a próxima Conferência, e explicita as lutas das universidades e das sociedades para garantir que as universidades sejam, efetivamente, um bem social, um direito humano e um dever do Estado”.

Após o encerramento da Conferência, com a leitura da Declaração da Cres 2018 e dos encaminhamentos gerais dos sete eixos temáticos, os gestores das universidades estaduais presentes avaliaram os debates e, também, a participação da Abruem (Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais). “Foi um grande encontro da América Latina, da Educação Superior da América Latina, um encontro de grande importância, com discussões muito importantes sobre o momento atual do continente, da Educação Superior no continente, que nos motiva e renova a nossa esperança de continuar militando pela Educação Superior no Brasil”, declarou o reitor Aldo Nelson Bona (Unicentro – Universidade Estadual do Centro-Oeste), que é o presidente da Associação.

Já o presidente da Câmara de Ead (Educação a Distância) da Abruem, reitor Marcus Tomasi (Udesc – Universidade do Estado de Santa Catarina), o principal papel da Conferência de 2018 é “reforçar a Educação Superior como um direito humano fundamental, um bem social e um dever do poder público”, assim como há dez anos, em 2008, no encontro de Cartagena das Índias, na Colômbia. As implicações da manutenção desse posicionamento também foram lembradas pelo presidente da Abruem: “a necessidade do financiamento da Educação Superior pública e do compromisso social das universidades”.

Compromisso de defesa da universidade como bem social, direito humano e dever do estado foi reafirmado na Declaração Final da Cres 2018 (Foto: Ariane Pereira)

Compromisso social que para o reitor da Uneb (Universidade do Estado da Bahia), José Bites de Carvalho, está, por exemplo, na maior articulação com as universidades excluídas e no exemplo das universidades indíginas, presentes em vários países do continente. “A discussão e a consolidação dos conceitos referentes à universidade popular, para mim, são bastante significativas. Temos que destacar a importância de se avançar e trazer para dentro das universidades – conforme foi discutido em várias mesas temáticas – o pessoal do campo, os indígenas. Isso é um legado muito forte para nós e tenho certeza absoluta de que dará uma contribuição imensa para todas as universidades brasileiras”.

O encaminhamento a ser dado pelas comunidades universitárias, sobretudo pelos seus gestores, a partir das discussões e encaminhamentos da Cres, para a professora Berenice Quinzani Jordão, que deixou a reitoria da UEL (Universidade Estadual de Londrina) há uma semana, agora, é o pronto preponderante. “Agora, como na Cres de 2008, há que se fazer um processo de articulação, de muito diálogo para implementar as propostas. Elas têm que encontrar caminhos para serem executadas e quem construirá esses caminhos serão as próprias universidades e as próprias comunidades universitárias. Então, eu acho que a tarefa mais difícil vem agora, colocar em prática todo o discurso que foi aqui feito. A discussão foi muito interessante, muito importante dentro de todos os espaços, que foram muito bem colocados dentro desta Conferência Regional, mas a colocação em prática vai também exigir muito das comunidades universitárias, dos dirigentes e, especialmente, passar por encontrar um caminho de diálogo com os governos. Dependerá muito da ação governamental porque muitas são políticas públicas que devem ser implementadas e para que elas sejam implementadas há necessidade de uma abertura de diálogo com os poderes legislativo e executivo”.

Abruem esteve representada em vários dos debates empreendidos ao longo da Cres (Foto: Ariane Pereira)

O vice-reitor da Unespar (Universidade Estadual do Paraná), Sidney Kempa, também defende que as discussões da Cres somente impactarão no dia a dia das instituições na medida em quem “as universidades articularem com os governos a viabilidade dessas propostas sob o ponto-de-vista de políticas governamentais que deem sustenção a elas. A meu ver, a conclusão da Conferência catalisa um anseio de todos aqueles que militam na e pela Educação Superior, que é a defesa das universidades como um bem público e, sobretudo, pertinente, fundamental”.

Tomando como exemplo as instituições de ensino superior públicas do Paraná, a professora Berenice afirmou que “foram contempladas muitas das necessidades das nossas estaduais, em especial, a necessidade do reforço e da atenção ao respeito à autonomia universitária. Essa situação, ela é vivenciada por muitas universidades e foi um ponto chave, também, de conclusão aqui da Cres 2018”.

O presidente da Abruem, reitor Aldo Bona, acredita que a Declaração e o Plano de Ações poderão “orientar e, sobretudo, inspirar as gestões universitárias das nossas diferentes instituições”.

Educação superior é um direito e não pode continuar sendo percebida como privilégio

Declaração final da Cres 2018 reafirma compromisso da Universidade como bem público e dever do Estado

Mulheres e homens de nossa América, as impactantes mudanças que ocorrem na região e no mundo em crise nos convocam a lutar por uma transformação radical em direção a uma sociedade mais justa, igualitária e sustentável. Há um século, os estudantes reformistas de Córdoba proclamaram que ‘as dores que nos restam são as liberdades que nos faltam’. Palavras que não podemos esquecer porque ainda restam e são muitas, porque ainda persistem na região a pobreza, a desigualdade, a marginalização, a injustiça e a violência social”. Assim inicia a Declaração Final da III Conferência Regional de Educação Superior para a América Latina e o Caribe, a Cres 2018.

Documentos referentes à Cres 2018 foram apresentados (esq. para dir.) pelo coordenador da Cres, pelo reitor da UNC e pelo diretor do Iesalc (Foto: Ariane Pereira)

O conteúdo do documento – que reafirma a educação superior como um direito humano universal, um bem público e um dever do Estado – foi lido pelo reitor da Universidade Nacional de Córdoba (UNC), sede da Cres 2018, Hugo Juri, durante a cerimônia de encerramento da Conferência. Além dele, também subiram ao palco da Arena Orfeu o professor Francisco Tamarit, coordenador-geral do evento, e Pedro Henríquez Guajardo, diretor do Iesalc (Instituto Internacional para a Educação Superior na América Latina e no Caribe). Os dois apresentaram, alternadamente, os princípios dos sete eixos temáticos da Conferência – O papel da Educação Superior frente aos desafios sociais da América Latina e do Caribe; A Educação Superior como parte do sistema educativo na América Latina e no Caribe; Educação Superior, diversidade cultural e interculturalidade na América Latina; Educação Superior, internacionalização e integração regional da América Latina e do Caribe; O papel estratégico da Educação Superior para o desenvolvimento sustentável da América Latina e do Caribe; A pesquisa científica, tecnológica e a inovação como motores de desenvolvimento humano, social e econômico para a América Latina e o Caribe; e 100 amos da reforma universitária de Córdoba – faça-se um novo manifesto da Educação Superior latinoamericana.

O documento final da Cres 2018 é uma carta de princípios e em que estão contidos as ideias e os valores a serem defendidos e praticados pelas universidades e instituições de ensino superior da América Latina e do Caribe. A Declaração também apresenta as responsabilidades e compromissos a serem assumidos tanto pelas instituições de ensino quanto pelos governos. O texto reconhece os avanços alcançados, mas alerta que um grande número de pessoas na região não têm acesso a direitos básicos, como água potável, saúde e educação. Alerta, ainda, que milhões de crianças, jovens e idosos da América Latina e do Caribe vivem em estado de exclusão.

Os textos apresentados destacam que a visão mercantilista que, em muitos momentos, têm sobressaído na oferta e na avaliação da Educação Superior e, por isso, determinam que se estabeleça um acompanhamento rigoroso para a oferta da educação em todos os níveis, reiterando que os Estados têm que adotar instrumentos de regulação das instituições públicas e privadas, promovendo o acesso universal e a permanência na Educação Superior. Dessa forma, os princípios da gratuidade do ensino e da autonomia universitária também são reiterados pela Declaração Final da Cres 2018.

Recusa a mercantilização do Ensino Superior está presente na Declaração da Cres 2018 (Foto: Ariane Pereira)

A declaração final frisa que as diferenças econômicas, tecnológicas e sociais entre os hemisférios Norte e Sul têm aumentado, bem como a livre circulação de mercadorias. Lembra, porém, que na contramão, o fluxo de pessoas tem sido restringido. A diferenciação e o preconceito também aparecem no documento quando o texto chama a atenção para a desigualdade entre os gênero, destacando que as mulheres precisam ser valorizadas e reconhecidas como sujeitos de direito, inclusive dentro das próprias universidades e instituições de ensino superior.

A carta ainda convoca as universidades a refletirem sobre como elas estão contribuído para transformar a sociedade, para promover o livre debate, a igualdade, o respeito humano, a luta contra as arbitrariedades e a defesa incondicional da democracia. A declaração é contundente ao afirmar que as instituições de ensino superior precisam estar comprometidas, integralmente, com a transformação social, atuando para construir sociedades igualitárias, plurais e inclusivas.

Além da Declaração Final e das Diretrizes dos Eixos Temáticos, apresentados na cerimônia de encerramento da Cres 2018, outros dois documentos serão produzidos – um deles se configurará como um plano de ação e o outro reunirá as proposições de todas as mesas de debate.

Durante a Cres, Abruem e RUP firmam convênio de ampla cooperação

Associações congregam universidades estaduais do Brasil e provinciais da Argentina

A Abruem (Associação Brasileira dos Reitores da Universidades Estaduais e Municipais) aproveitou o período de realização da III Conferência Regional de Educação Superior para a América Latina e o Caribe para buscar aproximações com instituições de ensino superior do continente, visando a internacionalização de suas associadas. No segundo dia de atividades da Cres 2018, por exemplo, a entidade brasileira oficializou um acordo de ampla cooperação com a RUP, que é a Rede de Universidades Provinciais da Argentina. Essa aproximação teve início no final do mês de abril, também na cidade argentina de Córdoba, quando a associação do país vizinho convidou a Abruem para participar de um encontro preparatório para a Cres e, simultaneamente, promoveu o I Encontro Abruem-RUP.

Presidente da Abruem e vice da RUP assinam Termo de Cooperação Ampla (Foto: Ariane Pereira)

Durante a assinatura do convênio, o presidente da Abruem, reitor Aldo Nelson Bona (Unicentro – Universidade Estadual do Centro-Oeste), aproveitou para detalhar a constituição da Associação, formada por 45 universidades estaduais e municipais. “Estamos em todo o território brasileiro. Somos uma rede muito importante, ofertando quase metade de todas as vagas de ensino superior em universidades públicas do Brasil e produzindo quase metade da ciência e da tecnologia do país”, afirmou.

Bona também aproveitou a ocasião para reforçar a mudança de direcionamento das políticas de internacionalização das universidades afiliadas à Abruem. “No Brasil, até muito pouco tempo, quando nós falávamos em cooperação internacional logo mirávamos para a Europa e os Estados Unidos. Agora, temos feito um esforço para mudar isso, no sentido de pensar e reforçar que a cooperação latino-americana é essencial, fundamental para nosso continente e para nossas universidades”.

Pela associação argentina, assinou o termo de cooperação o vice-presidente da RUP, reitor Aníbal Sattler, da Universidade Autônoma de Entre Rios (Uader). Em seu discurso, ele reiterou que a Rede de Universidades Provinciais é uma iniciativa recente, tendo início há apenas três anos, e que, por isso, tem na Abruem um exemplo. “Começamos a crescer a partir do momento que nos constituímos como rede e tomamos essa decisão porque estávamos convencidos de que nossas universidades têm uma realidade muito particular em relação às universidades nacionais, que são a maioria em nosso país. A provinciais têm uma proximidade muito maior com a comunidade e isto só é possível pelo nosso caráter, ou seja, somos locais. Essa é nossa particularidade. Ou seja, trabalhar em conjunto com as cidades, com os municípios para levar a educação superior para aqueles que, de outra maneira, não poderiam chegar à universidades e, dessa forma, estavam excluídos do sistema”, disse.

O reitor da Uneb, José Bites de Carvalho (ao fundo), é uma das testemunhas da assinatura (Foto: Ariane Pereira)

Sobre o acordo de cooperação, Sattler enfatizou que as universidades integrantes da RUP estão felizes ao firmá-lo. Também ressaltou que a primeira ação possibilitada pela parceria já tem data para ocorrer: agosto desde ano, quando reitores e diretores dos Escritórios de Relações Internacionais das universidades associadas participarão de uma uma missão. “Vamos conhecer as universidades paranaenses e estreitar laços. Daí, certamente, surgirão possibilidades de intercâmbio estudantil, de pesquisas conjuntas entre nossos docentes, assim temos muitas expectativas para começarmos a trabalhar juntos”.

A Rup é formada por sete instituições de ensino superior: a Uader, a UPC (Universidade Provincial de Córdoba), o Iupa (Instituto Universitário Patagônico de Artes), a UDC (Universidade de Chubut), Upso (Universidade Provincial do Sudoeste), UPE (Universidade Provincial de Ezeiza) e Imes (Instituto Missioneiro de Educação Superior).00

Boaventura de Sousa Santos faz conferência na Cres 2018 e reafirma importância das universidades

Para cientista social, educação superior deve resistir as investidas neoliberais

O Iesalc, que é o Instituto Internacional de Educação Superior para a América Latina e o Caribe, uma das agências da Unesco, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, em parceria com entidades ligadas à Educação Superior, a cada dez anos realiza a Conferência Regional da Educação Superior para a América Latina e o Caribe. Neste ano, a Cres chegou a sua terceira edição e coincidiu com os cem anos da Reforma Universitária de Córdoba – movimento fundamentalmente estudantil que influenciou a reorganização de todo o sistema de Educação Superior da América Latina e do Caribe. Também realizada na cidade argentina de Córdoba, a Cres 2018 reafirmou os ideais de 1918 e o compromisso das universidades com a transformação social.

Reflexões apresentadas por Boaventura de Sousa Santos traçaram paralelos entre 1918, 1968 e 2018 (Foto: Ariane Pereira)

Mesma perspectiva adotada pelo cientista social português Boaventura de Sousa Santos na conferência inaugural da Conferência: “As dores que restam são as liberdades que faltam – para continuar e aprofundar o Manifesto de 1918”. A Reforma Universitária de Córdoba defendia a autonomia universitária, a democratização das instituições públicas e a desvinculação das ações latinas dos interesses norte-americanos. Boaventura de Sousa Santos assinalou que ainda hoje é preciso resistir, e de forma integrada, ao que ele chamou de monstro de três cabeças: o capitalismo, o colonialismo e o patriarcado.

Hoje, temos inimigos internos e para nos defendermos precisamos ter uma concepção diferente do conhecimento e há muitos professores que ficaram no tempo, não evoluíram, não leram e não se deram conta que o mundo hoje é distinto e precisamos ter outra articulação. Também é distinto o fato de que as universidades hoje estão sem aliados. É muito fácil atacar as universidades em qualquer país. Antes, ninguém tocava nas universidades. Basta ver que um professor catedrático ganhava tanto quanto um general ou como um juiz do Supremo Tribunal. Veja o que acontece hoje nos nossos países. Houve uma mudança extraordinária e, portanto, o inimigo é mais forte porque, nessa altura, esse inimigo tinha que sempre ter em conta que havia muita gente nas universidades que não acreditava que o futuro era apenas capitalista, podia haver um futuro socialista. Hoje, a ideia da alternativa está um pouco em crise. Portanto, há inimigos externos muito fortes e há alguns inimigos internos que também é preciso combater”, afirma.

Resistência deve ser integrada contra o monstro de três cabeças: o capitalismo, o colonialismo e o patriarcado (Foto: Ariane Pereira)

O conferencista ainda criticou a mercantilização da educação e disse ser necessária a refundação da universidade no sentido de aprofundar a democratização do ensino superior. Como ação de resistência, Boaventura sugeriu as parcerias e o apoio sul-sul – isto é, entre instituições de ensino superior da região.

O ataque neoliberal não é um ataque a uma universidade. Os cortes orçamentários estão a ser distribuídos por todas as universidades e em todos os continentes. Aqui no continente latino-americano a resistência tem que ser articulada. Como se pode resistir? Ela tem que ser por um lado defensiva, porque há serviços que serão cada vez mais difíceis de realizar e solidariamente nos organizarmos, até no compartilhamento de equipamentos – nós podemos, eventualmente, ter a possibilidade de continuarmos nossa investigação com equipamentos partilhados, por exemplo. Também as universidades estão a despedir muita gente, muitas vezes, nós também podemos ter solidariedade com esses professores que circulam de uma universidade para outra e que – muitas vezes conhecidos dos estudantes porque leem seus livros – e que podem vir a preencher as deficiências das universidades. Penso que há muitas maneiras através das quais, toda essa aliança sul-sul pode fortalecer as universidades. Sempre que um professor é perseguido – e, nesse momento, há vários professores perseguidos no Brasil, eu tenho um pós-doutorando que, nesse momento, está a ser perseguido pelos agricultores por causa de uma questão dos agrotóxicos -, quando um pesquisador, um investigador é perseguido, se nós tivermos uma rede sul-sul, imediatamente, podemos organizar uma rede de solidariedade. Há, portanto, toda uma série de medidas que eu penso que podem ser operacionalizadas dessa maneira”, detalha Boaventura de Sousa Santos.

Abruem representada em mais duas mesas da Cres 2018 nessa quarta (13)

Discussões abordaram políticas de acesso à universidade e inclusão de migrantes

A ex-reitora da Uel, Berenice Jordão, apresentou a política de cotas implantadas por universidades brasileiras (Foto: Ariane Pereira)

O segundo dia de discussões da Conferência Regional de Ensino Superior para a América Latina e o Caribe, a Cres 2018, mais uma vez teve a participação de representantes da Abruem (Associação Brasileira das Universidades Estaduais e Municipais). De cada uma das atividades – palestras, fóruns acadêmicos, simpósios dos eixos temáticos e mesas de debate – são retiradas as propostas norteadoras para os próximos dez anos da Educação Superior na região. Por isso, a presença de representantes das universidades estaduais e municipais do Brasil integrando a plateia e, sobretudo, ocupando lugares privilegiados nos debates é tão importante.

Nessa quarta-feira (13), os posicionamentos defendidos pela Abruem foram destaques em duas mesas de debate. A professora e ex-reitora da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Berenice Quinzani Jordão, integrou o painel “Políticas públicas de inclusão socioeducativas no ensino superior”. Em sua fala, a docente apresentou o programa de “Cotas Sociais”, do governo federal, que prevê a reserva de vagas nas universidades públicas para estudantes oriundas das escolas públicas, negros, indígenas e deficientes. “A América Latina”, apontou, “tem números muito desiguais em todos os países, com parcelas da população que não tem acesso à Educação Superior. Então, é preciso discutir a democratização do ensino para que se amplie o acesso para essa população marginalizada, que se poderia se basear ou tomar por parâmetro essa política já implantada e que vem mostrando resultados”.

A professora Gisele Onuki (direita) tratou do acesso de refugiados ao ensino superior no Brasil (Foto: Ariane Pereira)

Já a professora Gisele Onuki, da Unespar (Universidade Estadual do Paraná), integrou a mesa de debates de número 21: “Educação superior, migrantes e pessoas deslocadas”. Para ela, acima de tudo, é preciso ressaltar a discrepância entre a livre-circulação de mercadorias e do conhecimento, e o atual impedimento do fluxo de pessoas pelo território mundial. “Acredito que a Cres”, afirmou, “nesse debate sobre os processos migratórios de refugiados, deve amparar suas reflexões na sensibilidade, no viés humano. Afinal, embora os processos políticos e econômicos estejam influenciando nossas sociedades, nossas universidades podem e devem prover políticas de acesso, e estratégias que podem reduzir esse quadro e ser reflexos para modificar a sociedade atual”.

Gisele lembrou, em sua explanação que, no Brasil, desde 2017, as leis e decretos referentes ao processo migratório de refugiados e apátridas estão passando por reformulações, que levam as universidades a, também, reformularem seus estatutos.

Nessa quinta (14), todas as propostas resultantes das 28 mesas de debate, dos dois encontros de cada um dos sete eixos temáticos, dos oito fóruns acadêmicos e das oito conferências serão compiladas ao longo do dia e apresentadas, a partir das 15h30, no ato de encerramento da Cres 2018. Na ocasião, ocorrerá a leitura plenária da Declaração da Conferência Regional de Educação Superior para a América Latina e o Caribe de 2018 e do Plano de Ação para os próximos dez anos.

Clique aqui e confira a apresentação da professora Berenice Quinzani Jordão.