Arquivo da categoria: Notícias

Defesa das universidades públicas tem nos encaminhamentos da Cres 2018 grandes aliados

América Latina e Caribe mantêm posição de que Educação Superior é um direto do cidadão e um dever do estado

“Ao finalizarmos a terceira edição da Conferência Regional de Educação Superior para a América Latina e o Caribe, precisamos ter claro que ela não poder ser uma foto, e sim um filme em construção da Educação Superior que queremos para a região”, defendeu o organizador-geral da Cres 2018, professor Francisco Tamarit. Para isso, os participantes e as instituições de Ensino Superior como um todo contam com dois documentos: a Declaração Final da Conferência de 2018 e o Plano de Ações decorrente das discussões empreendidas ao longo de quatro dias, em Córdoba, na Argentina.

O presidente da Abruem (dir) na cerimônia de encerramento da Cres 2018 (Foto: Ariane Pereira)

A Declaração é o fechamento do processo de construção conceitual que teve início juntamente com a preparação da Conferência há três anos. É um instrumento político. Já o Plano de Ação é a concretização das propostas apresentadas nos encontros preparatórios e, principalmente, durante a Cres, que deve ser implementado a partir de janeiro de 2019. “Nossa meta”, esclarece o diretor do Iesalc (Instituto Internacional para a Educação Superior na América Latina e no Caribe) – entidade ligada à Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) -, Pedro Guajardo, “é que a Declaração se converta em propostas permanentes. Já o Plano tem duração de dez anos, até a próxima Conferência, e explicita as lutas das universidades e das sociedades para garantir que as universidades sejam, efetivamente, um bem social, um direito humano e um dever do Estado”.

Após o encerramento da Conferência, com a leitura da Declaração da Cres 2018 e dos encaminhamentos gerais dos sete eixos temáticos, os gestores das universidades estaduais presentes avaliaram os debates e, também, a participação da Abruem (Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais). “Foi um grande encontro da América Latina, da Educação Superior da América Latina, um encontro de grande importância, com discussões muito importantes sobre o momento atual do continente, da Educação Superior no continente, que nos motiva e renova a nossa esperança de continuar militando pela Educação Superior no Brasil”, declarou o reitor Aldo Nelson Bona (Unicentro – Universidade Estadual do Centro-Oeste), que é o presidente da Associação.

Já o presidente da Câmara de Ead (Educação a Distância) da Abruem, reitor Marcus Tomasi (Udesc – Universidade do Estado de Santa Catarina), o principal papel da Conferência de 2018 é “reforçar a Educação Superior como um direito humano fundamental, um bem social e um dever do poder público”, assim como há dez anos, em 2008, no encontro de Cartagena das Índias, na Colômbia. As implicações da manutenção desse posicionamento também foram lembradas pelo presidente da Abruem: “a necessidade do financiamento da Educação Superior pública e do compromisso social das universidades”.

Compromisso de defesa da universidade como bem social, direito humano e dever do estado foi reafirmado na Declaração Final da Cres 2018 (Foto: Ariane Pereira)

Compromisso social que para o reitor da Uneb (Universidade do Estado da Bahia), José Bites de Carvalho, está, por exemplo, na maior articulação com as universidades excluídas e no exemplo das universidades indíginas, presentes em vários países do continente. “A discussão e a consolidação dos conceitos referentes à universidade popular, para mim, são bastante significativas. Temos que destacar a importância de se avançar e trazer para dentro das universidades – conforme foi discutido em várias mesas temáticas – o pessoal do campo, os indígenas. Isso é um legado muito forte para nós e tenho certeza absoluta de que dará uma contribuição imensa para todas as universidades brasileiras”.

O encaminhamento a ser dado pelas comunidades universitárias, sobretudo pelos seus gestores, a partir das discussões e encaminhamentos da Cres, para a professora Berenice Quinzani Jordão, que deixou a reitoria da UEL (Universidade Estadual de Londrina) há uma semana, agora, é o pronto preponderante. “Agora, como na Cres de 2008, há que se fazer um processo de articulação, de muito diálogo para implementar as propostas. Elas têm que encontrar caminhos para serem executadas e quem construirá esses caminhos serão as próprias universidades e as próprias comunidades universitárias. Então, eu acho que a tarefa mais difícil vem agora, colocar em prática todo o discurso que foi aqui feito. A discussão foi muito interessante, muito importante dentro de todos os espaços, que foram muito bem colocados dentro desta Conferência Regional, mas a colocação em prática vai também exigir muito das comunidades universitárias, dos dirigentes e, especialmente, passar por encontrar um caminho de diálogo com os governos. Dependerá muito da ação governamental porque muitas são políticas públicas que devem ser implementadas e para que elas sejam implementadas há necessidade de uma abertura de diálogo com os poderes legislativo e executivo”.

Abruem esteve representada em vários dos debates empreendidos ao longo da Cres (Foto: Ariane Pereira)

O vice-reitor da Unespar (Universidade Estadual do Paraná), Sidney Kempa, também defende que as discussões da Cres somente impactarão no dia a dia das instituições na medida em quem “as universidades articularem com os governos a viabilidade dessas propostas sob o ponto-de-vista de políticas governamentais que deem sustenção a elas. A meu ver, a conclusão da Conferência catalisa um anseio de todos aqueles que militam na e pela Educação Superior, que é a defesa das universidades como um bem público e, sobretudo, pertinente, fundamental”.

Tomando como exemplo as instituições de ensino superior públicas do Paraná, a professora Berenice afirmou que “foram contempladas muitas das necessidades das nossas estaduais, em especial, a necessidade do reforço e da atenção ao respeito à autonomia universitária. Essa situação, ela é vivenciada por muitas universidades e foi um ponto chave, também, de conclusão aqui da Cres 2018”.

O presidente da Abruem, reitor Aldo Bona, acredita que a Declaração e o Plano de Ações poderão “orientar e, sobretudo, inspirar as gestões universitárias das nossas diferentes instituições”.

Educação superior é um direito e não pode continuar sendo percebida como privilégio

Declaração final da Cres 2018 reafirma compromisso da Universidade como bem público e dever do Estado

Mulheres e homens de nossa América, as impactantes mudanças que ocorrem na região e no mundo em crise nos convocam a lutar por uma transformação radical em direção a uma sociedade mais justa, igualitária e sustentável. Há um século, os estudantes reformistas de Córdoba proclamaram que ‘as dores que nos restam são as liberdades que nos faltam’. Palavras que não podemos esquecer porque ainda restam e são muitas, porque ainda persistem na região a pobreza, a desigualdade, a marginalização, a injustiça e a violência social”. Assim inicia a Declaração Final da III Conferência Regional de Educação Superior para a América Latina e o Caribe, a Cres 2018.

Documentos referentes à Cres 2018 foram apresentados (esq. para dir.) pelo coordenador da Cres, pelo reitor da UNC e pelo diretor do Iesalc (Foto: Ariane Pereira)

O conteúdo do documento – que reafirma a educação superior como um direito humano universal, um bem público e um dever do Estado – foi lido pelo reitor da Universidade Nacional de Córdoba (UNC), sede da Cres 2018, Hugo Juri, durante a cerimônia de encerramento da Conferência. Além dele, também subiram ao palco da Arena Orfeu o professor Francisco Tamarit, coordenador-geral do evento, e Pedro Henríquez Guajardo, diretor do Iesalc (Instituto Internacional para a Educação Superior na América Latina e no Caribe). Os dois apresentaram, alternadamente, os princípios dos sete eixos temáticos da Conferência – O papel da Educação Superior frente aos desafios sociais da América Latina e do Caribe; A Educação Superior como parte do sistema educativo na América Latina e no Caribe; Educação Superior, diversidade cultural e interculturalidade na América Latina; Educação Superior, internacionalização e integração regional da América Latina e do Caribe; O papel estratégico da Educação Superior para o desenvolvimento sustentável da América Latina e do Caribe; A pesquisa científica, tecnológica e a inovação como motores de desenvolvimento humano, social e econômico para a América Latina e o Caribe; e 100 amos da reforma universitária de Córdoba – faça-se um novo manifesto da Educação Superior latinoamericana.

O documento final da Cres 2018 é uma carta de princípios e em que estão contidos as ideias e os valores a serem defendidos e praticados pelas universidades e instituições de ensino superior da América Latina e do Caribe. A Declaração também apresenta as responsabilidades e compromissos a serem assumidos tanto pelas instituições de ensino quanto pelos governos. O texto reconhece os avanços alcançados, mas alerta que um grande número de pessoas na região não têm acesso a direitos básicos, como água potável, saúde e educação. Alerta, ainda, que milhões de crianças, jovens e idosos da América Latina e do Caribe vivem em estado de exclusão.

Os textos apresentados destacam que a visão mercantilista que, em muitos momentos, têm sobressaído na oferta e na avaliação da Educação Superior e, por isso, determinam que se estabeleça um acompanhamento rigoroso para a oferta da educação em todos os níveis, reiterando que os Estados têm que adotar instrumentos de regulação das instituições públicas e privadas, promovendo o acesso universal e a permanência na Educação Superior. Dessa forma, os princípios da gratuidade do ensino e da autonomia universitária também são reiterados pela Declaração Final da Cres 2018.

Recusa a mercantilização do Ensino Superior está presente na Declaração da Cres 2018 (Foto: Ariane Pereira)

A declaração final frisa que as diferenças econômicas, tecnológicas e sociais entre os hemisférios Norte e Sul têm aumentado, bem como a livre circulação de mercadorias. Lembra, porém, que na contramão, o fluxo de pessoas tem sido restringido. A diferenciação e o preconceito também aparecem no documento quando o texto chama a atenção para a desigualdade entre os gênero, destacando que as mulheres precisam ser valorizadas e reconhecidas como sujeitos de direito, inclusive dentro das próprias universidades e instituições de ensino superior.

A carta ainda convoca as universidades a refletirem sobre como elas estão contribuído para transformar a sociedade, para promover o livre debate, a igualdade, o respeito humano, a luta contra as arbitrariedades e a defesa incondicional da democracia. A declaração é contundente ao afirmar que as instituições de ensino superior precisam estar comprometidas, integralmente, com a transformação social, atuando para construir sociedades igualitárias, plurais e inclusivas.

Além da Declaração Final e das Diretrizes dos Eixos Temáticos, apresentados na cerimônia de encerramento da Cres 2018, outros dois documentos serão produzidos – um deles se configurará como um plano de ação e o outro reunirá as proposições de todas as mesas de debate.

Durante a Cres, Abruem e RUP firmam convênio de ampla cooperação

Associações congregam universidades estaduais do Brasil e provinciais da Argentina

A Abruem (Associação Brasileira dos Reitores da Universidades Estaduais e Municipais) aproveitou o período de realização da III Conferência Regional de Educação Superior para a América Latina e o Caribe para buscar aproximações com instituições de ensino superior do continente, visando a internacionalização de suas associadas. No segundo dia de atividades da Cres 2018, por exemplo, a entidade brasileira oficializou um acordo de ampla cooperação com a RUP, que é a Rede de Universidades Provinciais da Argentina. Essa aproximação teve início no final do mês de abril, também na cidade argentina de Córdoba, quando a associação do país vizinho convidou a Abruem para participar de um encontro preparatório para a Cres e, simultaneamente, promoveu o I Encontro Abruem-RUP.

Presidente da Abruem e vice da RUP assinam Termo de Cooperação Ampla (Foto: Ariane Pereira)

Durante a assinatura do convênio, o presidente da Abruem, reitor Aldo Nelson Bona (Unicentro – Universidade Estadual do Centro-Oeste), aproveitou para detalhar a constituição da Associação, formada por 45 universidades estaduais e municipais. “Estamos em todo o território brasileiro. Somos uma rede muito importante, ofertando quase metade de todas as vagas de ensino superior em universidades públicas do Brasil e produzindo quase metade da ciência e da tecnologia do país”, afirmou.

Bona também aproveitou a ocasião para reforçar a mudança de direcionamento das políticas de internacionalização das universidades afiliadas à Abruem. “No Brasil, até muito pouco tempo, quando nós falávamos em cooperação internacional logo mirávamos para a Europa e os Estados Unidos. Agora, temos feito um esforço para mudar isso, no sentido de pensar e reforçar que a cooperação latino-americana é essencial, fundamental para nosso continente e para nossas universidades”.

Pela associação argentina, assinou o termo de cooperação o vice-presidente da RUP, reitor Aníbal Sattler, da Universidade Autônoma de Entre Rios (Uader). Em seu discurso, ele reiterou que a Rede de Universidades Provinciais é uma iniciativa recente, tendo início há apenas três anos, e que, por isso, tem na Abruem um exemplo. “Começamos a crescer a partir do momento que nos constituímos como rede e tomamos essa decisão porque estávamos convencidos de que nossas universidades têm uma realidade muito particular em relação às universidades nacionais, que são a maioria em nosso país. A provinciais têm uma proximidade muito maior com a comunidade e isto só é possível pelo nosso caráter, ou seja, somos locais. Essa é nossa particularidade. Ou seja, trabalhar em conjunto com as cidades, com os municípios para levar a educação superior para aqueles que, de outra maneira, não poderiam chegar à universidades e, dessa forma, estavam excluídos do sistema”, disse.

O reitor da Uneb, José Bites de Carvalho (ao fundo), é uma das testemunhas da assinatura (Foto: Ariane Pereira)

Sobre o acordo de cooperação, Sattler enfatizou que as universidades integrantes da RUP estão felizes ao firmá-lo. Também ressaltou que a primeira ação possibilitada pela parceria já tem data para ocorrer: agosto desde ano, quando reitores e diretores dos Escritórios de Relações Internacionais das universidades associadas participarão de uma uma missão. “Vamos conhecer as universidades paranaenses e estreitar laços. Daí, certamente, surgirão possibilidades de intercâmbio estudantil, de pesquisas conjuntas entre nossos docentes, assim temos muitas expectativas para começarmos a trabalhar juntos”.

A Rup é formada por sete instituições de ensino superior: a Uader, a UPC (Universidade Provincial de Córdoba), o Iupa (Instituto Universitário Patagônico de Artes), a UDC (Universidade de Chubut), Upso (Universidade Provincial do Sudoeste), UPE (Universidade Provincial de Ezeiza) e Imes (Instituto Missioneiro de Educação Superior).00

Boaventura de Sousa Santos faz conferência na Cres 2018 e reafirma importância das universidades

Para cientista social, educação superior deve resistir as investidas neoliberais

O Iesalc, que é o Instituto Internacional de Educação Superior para a América Latina e o Caribe, uma das agências da Unesco, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, em parceria com entidades ligadas à Educação Superior, a cada dez anos realiza a Conferência Regional da Educação Superior para a América Latina e o Caribe. Neste ano, a Cres chegou a sua terceira edição e coincidiu com os cem anos da Reforma Universitária de Córdoba – movimento fundamentalmente estudantil que influenciou a reorganização de todo o sistema de Educação Superior da América Latina e do Caribe. Também realizada na cidade argentina de Córdoba, a Cres 2018 reafirmou os ideais de 1918 e o compromisso das universidades com a transformação social.

Reflexões apresentadas por Boaventura de Sousa Santos traçaram paralelos entre 1918, 1968 e 2018 (Foto: Ariane Pereira)

Mesma perspectiva adotada pelo cientista social português Boaventura de Sousa Santos na conferência inaugural da Conferência: “As dores que restam são as liberdades que faltam – para continuar e aprofundar o Manifesto de 1918”. A Reforma Universitária de Córdoba defendia a autonomia universitária, a democratização das instituições públicas e a desvinculação das ações latinas dos interesses norte-americanos. Boaventura de Sousa Santos assinalou que ainda hoje é preciso resistir, e de forma integrada, ao que ele chamou de monstro de três cabeças: o capitalismo, o colonialismo e o patriarcado.

Hoje, temos inimigos internos e para nos defendermos precisamos ter uma concepção diferente do conhecimento e há muitos professores que ficaram no tempo, não evoluíram, não leram e não se deram conta que o mundo hoje é distinto e precisamos ter outra articulação. Também é distinto o fato de que as universidades hoje estão sem aliados. É muito fácil atacar as universidades em qualquer país. Antes, ninguém tocava nas universidades. Basta ver que um professor catedrático ganhava tanto quanto um general ou como um juiz do Supremo Tribunal. Veja o que acontece hoje nos nossos países. Houve uma mudança extraordinária e, portanto, o inimigo é mais forte porque, nessa altura, esse inimigo tinha que sempre ter em conta que havia muita gente nas universidades que não acreditava que o futuro era apenas capitalista, podia haver um futuro socialista. Hoje, a ideia da alternativa está um pouco em crise. Portanto, há inimigos externos muito fortes e há alguns inimigos internos que também é preciso combater”, afirma.

Resistência deve ser integrada contra o monstro de três cabeças: o capitalismo, o colonialismo e o patriarcado (Foto: Ariane Pereira)

O conferencista ainda criticou a mercantilização da educação e disse ser necessária a refundação da universidade no sentido de aprofundar a democratização do ensino superior. Como ação de resistência, Boaventura sugeriu as parcerias e o apoio sul-sul – isto é, entre instituições de ensino superior da região.

O ataque neoliberal não é um ataque a uma universidade. Os cortes orçamentários estão a ser distribuídos por todas as universidades e em todos os continentes. Aqui no continente latino-americano a resistência tem que ser articulada. Como se pode resistir? Ela tem que ser por um lado defensiva, porque há serviços que serão cada vez mais difíceis de realizar e solidariamente nos organizarmos, até no compartilhamento de equipamentos – nós podemos, eventualmente, ter a possibilidade de continuarmos nossa investigação com equipamentos partilhados, por exemplo. Também as universidades estão a despedir muita gente, muitas vezes, nós também podemos ter solidariedade com esses professores que circulam de uma universidade para outra e que – muitas vezes conhecidos dos estudantes porque leem seus livros – e que podem vir a preencher as deficiências das universidades. Penso que há muitas maneiras através das quais, toda essa aliança sul-sul pode fortalecer as universidades. Sempre que um professor é perseguido – e, nesse momento, há vários professores perseguidos no Brasil, eu tenho um pós-doutorando que, nesse momento, está a ser perseguido pelos agricultores por causa de uma questão dos agrotóxicos -, quando um pesquisador, um investigador é perseguido, se nós tivermos uma rede sul-sul, imediatamente, podemos organizar uma rede de solidariedade. Há, portanto, toda uma série de medidas que eu penso que podem ser operacionalizadas dessa maneira”, detalha Boaventura de Sousa Santos.

Abruem representada em mais duas mesas da Cres 2018 nessa quarta (13)

Discussões abordaram políticas de acesso à universidade e inclusão de migrantes

A ex-reitora da Uel, Berenice Jordão, apresentou a política de cotas implantadas por universidades brasileiras (Foto: Ariane Pereira)

O segundo dia de discussões da Conferência Regional de Ensino Superior para a América Latina e o Caribe, a Cres 2018, mais uma vez teve a participação de representantes da Abruem (Associação Brasileira das Universidades Estaduais e Municipais). De cada uma das atividades – palestras, fóruns acadêmicos, simpósios dos eixos temáticos e mesas de debate – são retiradas as propostas norteadoras para os próximos dez anos da Educação Superior na região. Por isso, a presença de representantes das universidades estaduais e municipais do Brasil integrando a plateia e, sobretudo, ocupando lugares privilegiados nos debates é tão importante.

Nessa quarta-feira (13), os posicionamentos defendidos pela Abruem foram destaques em duas mesas de debate. A professora e ex-reitora da UEL (Universidade Estadual de Londrina), Berenice Quinzani Jordão, integrou o painel “Políticas públicas de inclusão socioeducativas no ensino superior”. Em sua fala, a docente apresentou o programa de “Cotas Sociais”, do governo federal, que prevê a reserva de vagas nas universidades públicas para estudantes oriundas das escolas públicas, negros, indígenas e deficientes. “A América Latina”, apontou, “tem números muito desiguais em todos os países, com parcelas da população que não tem acesso à Educação Superior. Então, é preciso discutir a democratização do ensino para que se amplie o acesso para essa população marginalizada, que se poderia se basear ou tomar por parâmetro essa política já implantada e que vem mostrando resultados”.

A professora Gisele Onuki (direita) tratou do acesso de refugiados ao ensino superior no Brasil (Foto: Ariane Pereira)

Já a professora Gisele Onuki, da Unespar (Universidade Estadual do Paraná), integrou a mesa de debates de número 21: “Educação superior, migrantes e pessoas deslocadas”. Para ela, acima de tudo, é preciso ressaltar a discrepância entre a livre-circulação de mercadorias e do conhecimento, e o atual impedimento do fluxo de pessoas pelo território mundial. “Acredito que a Cres”, afirmou, “nesse debate sobre os processos migratórios de refugiados, deve amparar suas reflexões na sensibilidade, no viés humano. Afinal, embora os processos políticos e econômicos estejam influenciando nossas sociedades, nossas universidades podem e devem prover políticas de acesso, e estratégias que podem reduzir esse quadro e ser reflexos para modificar a sociedade atual”.

Gisele lembrou, em sua explanação que, no Brasil, desde 2017, as leis e decretos referentes ao processo migratório de refugiados e apátridas estão passando por reformulações, que levam as universidades a, também, reformularem seus estatutos.

Nessa quinta (14), todas as propostas resultantes das 28 mesas de debate, dos dois encontros de cada um dos sete eixos temáticos, dos oito fóruns acadêmicos e das oito conferências serão compiladas ao longo do dia e apresentadas, a partir das 15h30, no ato de encerramento da Cres 2018. Na ocasião, ocorrerá a leitura plenária da Declaração da Conferência Regional de Educação Superior para a América Latina e o Caribe de 2018 e do Plano de Ação para os próximos dez anos.

Clique aqui e confira a apresentação da professora Berenice Quinzani Jordão.

Gestores de universidades associadas à Abruem ministram conferências na Cres 2018

No total, Associação esteve representada em cinco mesas nessa terça

Participação da Abruem teve início com a conferência do presidente da Associação (Foto: Ariane Pereira)

A Conferência Regional de Educação Superior para a América Latina e o Caribe, a Cres 2018, teve continuidade nessa terça-feira (12) com a realização de uma série de painéis temáticos. As mesas funcionam como uma espécie de preparação para os debates dos sete grupos temáticos do encontro, fornecendo argumentos e subsídios para essas discussões. Afinal, delas sairá o posicionamento das universidades latino-americanas e caribenhas, que será defendido durante a Conferência Mundial de Educação Superior, organizada pela ONU (Organização das Nações Unidas) e agendada para 2021.

Um desses fóruns, realizado pela manhã e intitulado “Políticas Públicas de Educação Superior para a América Latina e o Caribe”, teve como um de seus conferencistas presidente da Abruem (Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais), Aldo Nelson Bona – que também é reitor da Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste) e membro do Conselho de Administração do Iesalc, o Instituto Internacional para a Educação Superior na América Latina e no Caribe, braço da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura).

Discussão sobre políticas públicas para a Educação Superior lotou o auditório (Foto: Ariane Pereira)

Em sua explanação, Bona apresentou comparativos entre números referentes às instituições de ensino superior públicas e privadas no Brasil para demonstrar que, atualmente, as universidades federais, estaduais e municipais têm como maior desafio o financiamento, que tem sido questionado pelos governos. Também lembrou que esse discurso tem se disseminado entre setores da sociedade. O presidente da Abruem ressaltou que, enquanto as instituições públicas têm os orçamentos reduzidos, 30% dos estudantes matriculados em universidades privadas brasileiras, segundo números de 2016, recebem financiamento do estado, via Prouni (Programa Universidade para Todos) ou Fies (Fundo de Financiamento Estudantil).

A argumentação do reitor brasileiro evidenciou que as universidade públicas reconhecem a necessidade de manter e mesmo ampliar a inclusão social, mas lembrou que, na atual conjuntura, não é possível. “Como incluir mais estudantes, com recursos cada vez mais escassos? Essa é uma conta que não fecha”. Ele concluiu retomando dizeres do organizador-geral da Cres 2018, professor Francisco Tamarit, na cerimônia de abertura da Conferência: “se as classes mais pobres não chegam as universidades, que se acabe com a pobreza e não com as instituições de ensino superior”.

Presidente da Câmara de Ead também representou Abruem na Cres 2018 (Foto: Ariane Pereira)

Além de Aldo Bona também participaram da mesa-redonda Roberto Markarian, reitor da Universidade da República, do Uruguai, e presidente da Associação de Universidade do Grupo de Montevidéu; Ivan Chávez, reitor da Universidade Ricardo Palma, no Peru, e presidente da Assembleia Nacional de Reitores; e Aldo Acevedo, reitor da Universidade de Valparaiso, no Chile, e vice-presidente da Associação de Reitores do Chile.

Já no período da tarde as universidades estaduais e municipais brasileiras estiveram representadas simultaneamente em quatro mesas de debate. A discussão intitulada “Acesso aberto e democratização do conhecimento” contou com a participação e palestrante do reitor da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) e presidente da Câmara de Educação a Distância da Abruem, Marcus Tomasi. Já o reitor da Unicamp (Universidade Estadual de Campina), Marcelo Knobel, ministrou palestra na mesa-redonda que abordou a temática “Inovação Tecnológica e desenvolvimento sócio-produtivo”. O vice-reitor da Unespar (Universidade Estadual do Paraná), Sidney Kempa, atuou como palestrante das discussões do painel “Educação Superior e cooperação multilateral”. Já o chefe de gabinete da Reitoria da Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste), Marcio Fernandes, foi um dos convidados da mesa de debates de número 4, que tratou do tema “Educação Superior e Meios de Comunicação”.

O vice-reitor da Unespar também representou a Abruem numa das mesas de debate da Conferência (Foto: Ariane Pereira)

 

 

Nessa quarta-feira (13), a Abruem segue representadas nas discussões da Cres 2018. Dessa vez, pelas professores Berenice Quinzani Jordão, da UEL (Universidade Estadual de Londrina), e Gisele Onuki, da Unespar (Universidade Estadual do Paraná), que participarão, respectivamente, das mesas-redondas “Políticas públicas de inclusão sócio-educativas na Educação Superior” e “Educação Superior, imigrantes/migrantes e desabrigados”.

Clique nos links e confira as apresentações de Aldo Nelson Bona; Marcus Tomasi; Sidney Kempa e Marcio Fernandes.

O chefe de gabinete da Unicentro representou as universidades estaduais e municipais em mesa sobre Comunicação (Foto: Ariane Pereira)

Cres 2018 inicia reafirmando Educação Superior como bem social, direito humano e dever do estado

Cerimônia de abertura reuniu milhares de gestores, professores e estudantes em Córdoba, na Argentina

No palco, bandeiras de países da América Latina e do Caribe lado a lado. E a diversidade não é por acaso. Elas representam a união das nações em defesa de uma causa única: a Educação Superior como um bem social, um direito humano e um dever do estado – tônica da Conferência Regional de Ensino Superior. Em 2018, a Cres chega a sua terceira edição reunindo 10 mil pessoas, de 40 países, em Córdoba, na Argentina.

Até sexta-feira (15), gestores, pesquisadores, professores e estudantes discutirão sete eixos temáticos que resultarão em estratégias conjuntas que deverão ser adotadas pelos países da região no sentido de garantir o acesso à universidade pelos membros das sociedades latino-americanas e caribenhas. “Primeiro, temos que assumir que somos diversos e também muito assimétricos. Somos muito desiguais. Então, a ideia é ouvir não só as universidades que têm prestígio, mas trazer todas as demais instituições que estão no sistema e que tem problema de qualidade, de reconhecimento, de legitimidade. A Conferência tem que buscar, de alguma maneira, a conversação entre as instituições e os governos para que os desenhos de políticas deem conta dessa situação e para que possamos enfrentá-la – as universidades em conjunto com a sociedade”, defende o diretor do Iesalc (Instituto Internacional para a Educação Superior na América Latina e Caribe), Pedro Henriquez Guajardo.

Pedro Henriquez Guajardo, presidente do Iesalc, durante a abertura da Cres 2018 (Foto: Ariane Pereira)

A Cres é realizada pelo Iesalc, braço latino-americano da Unesco, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, como preparação para a Conferência Mundial da Educação que será realizada em 2021, pela Organização das Nações Unidas (ONU), na França. Para a ex-diretora do Iesalc Unesco, professora Ana Lúcia Almeida Gazzola, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), essa edição da Conferência deve ressignificar as ações do dois encontros anteriores – realizados em 1996, em Cuba, e em 2008, na Colômbia -, tendo em vista que as mudanças positivas e negativas ocorridas no período no cenário da Educação Superior.

“Temos como pontos negativos o aumento dos processos de mercantilização da educação superior, de uma privatização desregulada e, também, a circulação de cursos e projetos da educação superior online, que terminam por serem produtos acéticos, que não têm relação com as raízes, pensamentos e expectativas de cada local. Nesse aspecto houve um retrocesso ou um agravamento das condições de 2008. Mas, por outro lado, a integração regional cresceu – tanto através de enlaces, como através das redes de universidades e das associações de universidades, como no Brasil a Andifes (Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior) e a Abruem (Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais). Isso cresceu, avançou e eu acho que essa acolhida da convocação para essa Conferência Regional expressa exatamente esse crescimento em articulação e em integração regional”, afirma.

Cerimônia de abertura também contou com apresentações culturais (Foto: Ariane Pereira)

Para o presidente da Abruem e reitor da Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste), Aldo Nelson Bona, o debate proposto pela Cres ocorre num momento de grandes desafios para as universidades da América Latina e do Caribe, e em especial do Brasil. “O desafio do financiamento, mas também do ponto de vista do questionamento de sua função, do seu papel social. Então, estar nesse encontro, promovendo um debate sobre os rumos da educação superior no continente, sem dúvida nenhuma, é de fundamental importância e o grande número de participantes chama a atenção. Por isso, os resultados que sairão daqui serão válidos, sem dúvida nenhuma”.

A Abruem, nessa edição da Cres, tem a participação de representantes de dez instituições de ensino superior afiliadas: Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina), UEL (Universidade Estadual de Londrina), Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Uneb (Universidade do Estado da Bahia), Unemat (Universidade do Estado de Mato Grosso), Unespar (Universidade Estadual do Paraná), Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Unicentro (Universidade Estadual do Centro-Oeste), Unioeoste (Universidade Estadual do Oeste do Paraná) e UniRV (Universidade de Rio Verde).

Nessa terça, o presidente da Abruem, reitor Aldo Bona é um dos conferencistas do painel “Políticas Públicas de Educação Superior da América Latina e Caribe”. A Associação tem ainda representes nas mesas “Acesso aberto e democratização do conhecimento”, “Inovação tecnológica e desenvolvimento sócio-produtivo”, “Educação Superior e cooperação multilateral”, “Educação Superior e meios de comunicação” – respectivamente os reitores Marcus Tomasi, da Udesc; Marcelo Knobel, da Unicamp; o vice-reitor da Unespar, Sidney Kempa; e o chefe de gabinete da Unicentro, professor Marcio Fernandes.

No fim do dia, os presidentes da Abruem e da RUP (Rede de Universidades Provinciais da Argentina), Aldo Bona e Hernan Vigier, assinam um convênio de ampla cooperação entre as associações.

Conferência Regional da Educação Superior inicia nessa segunda com participação da Abruem

Universidades associadas enviaram quinze representantes, entre gestores e assessores

Começa nessa segunda-feira (11) a III Conferência de Educação Superior para a América Latina e o Caribe, a Cres 2018. Realizado a cada dez anos pelo Iesalc (Instituto Internacional para a Educação Superior na América Latina e Caribe), braço da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura), o encontro tem por objetivo debater as tendências regionais para o ensino superior. Neste ano, em Córdoba, na Argentina, são mais de 10 mil participantes inscritos, principalmente de países da América Latina e do Caribe, que juntos vão trocar ideias e analisar propostas referentes à situações dos sistemas educativos na região.

Estadio Orfeo Superuomo: palco da abertura da Cres 2018

“Nossa preocupação”, frisa o diretor do Iesal, Pedro Henriquez Guajardo, “é delinear um plano de ação para a próxima década que seja orientado para a necessidade de reafirmar a educação superior como um bem público, social, estratégico, um direito humano e, por conseguinte, responsabilidades dos governos nacionais”.

A Cerimônia de Abertura da Cres 2018 terá início às 15h30, no Estadio Orfeo Superdomo. O encontro de Educação Superior terá início com uma conferência do professor-pesquisador Boaventura de Souza Santos.

Prorrogadas as inscrições para o Programa de Mobilidade Nacional da Abruem

Interessados têm até o dia seis de junho para pleitear uma das vagas

A Câmara Técnica de Internacionalização e Mobilidade da Abruem (Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais) prorrogou em uma semana o período de inscrições para a Fase 2, de 2018, do Programa de Mobilidade Nacional. O PMN é voltado, exclusivamente, para estudantes de universidades afiliadas à Associação. Ao todo, estão sendo ofertadas mais de 1.000 vagas para o segundo semestre, em 16 instituições. E, agora, os interessados têm até o dia seis de junho para pleitear uma vaga.

Todas as informações sobre universidades participantes, discriminação das vagas por instituição e cursos, além de documentos necessários e prazos estão disponível no Edital publicado pela CT de Internacionalização e Mobilidade. Os resultados finais serão divulgados entre 25 e 29 de junho. O início das aulas será de acordo com o calendário acadêmico das Instituições de Ensino Superior (IES) de destino.

Entre os documentos exigidos estão, por exemplo, um plano de estudos aprovado pelo coordenador do curso de origem e uma carta de recomendação assinada pelo departamento da universidade de origem dirigida a IES escolhida. A seleção seguirá a ordem de recebimento das inscrições.

O objetivo do PMN, segundo o presidente da CT de Internacionalização e Mobilidade, reitor Haroldo Reimer (UEG – Universidade Estadual de Goiás), “é proporcionar aos acadêmicos trocas culturais e contato com novas realidades em IES de outras cidades e estados brasileiros”.

Abruem e UEMS já dão início a preparativos para o 63. Fórum Nacional de Reitores

Encontro será realizado em Campo Grande, entre 12 e 14 de novembro

O secretário-executivo da Abruem (Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais), Carlos Roberto Ferreira, esteve em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, para impulsionar a organização do 63. Fórum Nacional de Reitores, que terá a realização da UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul).

Os integrantes da organização local participaram da visita técnica

A visita técnica tem como objetivo vistoriar os hotéis que poderão receber o encontro – estrutura de reuniões e acomodações -, negociar tarifas, além de orientar a equipe organizadora local quanto a definição de temas e convidados, estruturação da programação incluindo a solenidade de abertura.

A UEMS já tem definida a equipe de trabalho do 63. Fórum. Liderados pelo reitor e pelo vice da Instituição, professores Fábio Edir dos Santos e Laércio Alves de Carvalho, atuarão Débora Fittipaldi, que assumiu a função de coordenadora local do encontro, Waldir Leonel (diretor do Campus Campo Grande da UEMS), Daniela Chacha (cerimonial) e André Mazini (assessoria de comunicação).

O 63. Fórum Nacional de Reitores já tem data definida: 12, 13 e 14 de novembro desse ano.