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Reitores da Abruem elaboram Carta de Campo Grande

O documento foi elaborado durante o 63° Fórum da Abruem, realizado entre 12 e 14 de novembro

Campo Grande, 14 de novembro de 2018.

Reitoras e reitores das Universidades Estaduais e Municipais Brasileiras, reunidos durante o 63° Fórum Nacional de Reitores da Abruem, em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, entre os dias 12 e 14 de novembro de 2018, manifestam-se em defesa da Instituição Universitária, da democracia e da educação pública.

O Brasil vive um contexto complexo e de grandes desafios. As incertezas são muitas e provocadas pelos anúncios de mudanças que sugerem mais ataques às universidades públicas, seu financiamento, sua autonomia.

A instituição Universitária, secular, sempre esteve vinculada à formação de pessoas e produção do conhecimento, amparando o desenvolvimento das nações e de seus povos, na vanguarda do processo civilizatório.

A universidade é o locus privilegiado da pluralidade. A autonomia, valor constitucionalmente atribuído às universidades brasileiras, realiza-se por meio da liberdade de cátedra, liberdade de expressão e de ideias, respeito à diversidade e aos direitos humanos, sempre no interesse da sociedade e com o objetivo último de formar cidadãos e cidadãs com capacidade crítico-reflexiva, protagonistas da sua história e com potencial para transformação.

É indispensável, ainda, reafirmar que, permanentemente, mantemos importante agenda em defesa da educação como bem público, com financiamento público da educação básica à educação superior, conforme preceito constitucional, em sistemas e instituições públicas.

Do mesmo modo, o atual cenário planetário da sociedade do conhecimento indica nitidamente a necessidade do financiamento público da ciência, tecnologia e inovação como garantia da inserção do nosso País no rol das nações desenvolvidas, além do forte componente de soberania nacional.

Esta é a posição politico-institucional da Abruem, em defesa da educação que liberta, da Nação que se faz soberana e de uma Universidade a serviço da sociedade!

Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais

Reitores são homenageados em abertura do Fórum da Abruem

O Fórum, que está sendo realizado em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, se encerrará na próxima quarta-feira, 14

Nesta segunda-feira (12), a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) realizou a abertura do 63º Fórum da Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem). O evento aconteceu no Auditório da UEMS, em Campo Grande, e mostrou aos participantes um pouco da cultura regional.

Durante a abertura, ex-reitores de instituições afiliadas à Abruem receberam por parte da Associação, Diploma de Associado Honorário. O objetivo foi o de reconhecer os trabalhos de excelência desenvolvidos durante seus anos de reitorado. Os homenageados estiveram à frente das universidades entre 2010 a 2018. “O trabalho desses homens e mulheres foi imprescindível para elevar a qualidade da educação oferecida em suas instituições”, destaca o presidente da Abruem e reitor da Universidade Estadual de Goiás, Haroldo Reimer.

 

 

 

 

Foram homenageados Paulo Roberto Pinto Santos, ex-reitor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia; Arisa Araújo da Luz ex-reitora da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul; José Rui Camargo, ex-reitor da Universidade de Taubaté; Perseu da Silva Aparício, ex-reitor da Universidade do Estado do Amapá (Ueap); Arisa Araújo da Luz, ex-reitora da Universidade Estadual do Rio Grande do Sul; Carlos Luciano Sant’Ana Vargas, ex-reitor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG); Dijon Moraes Junior, ex-reitor da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG); Berenice Quinzani Jordão, ex-reitora da Universidade Estadual de Londrina. O reitor da UEMS, professor doutor Fábio Edir dos Santos Costa também recebeu homenagem.

Cultura de MS

Os representantes de 46 Instituições de Ensino Superior (IES) que participaram do evento puderam conhecer as instalações da UEMS, decorada com plantas, flores e frutos da região de Aquidauana. Toda a ornamentação foi realizada pelo professor doutor Antônio Corrêa de Oliveira Filho, do curso de Agronomia da cidade.

Os sabores de Mato Grosso do Sul foram apresentados pelo professor Rodrigo Minohara, do curso de Turismo, da UEMS de Campo Grande. Além de pratos típicos como sopa paraguaia, linguiça de Maracajú com farofa de pequi e o tradicional sobá, os participantes puderam experimentar a guavira. A música foi apresentada como um espetáculo à parte, com execução de músicas regionais pelo músico Marcelo Loureiro.

Em seu discurso, o Reitor da UEMS, professor Fábio Edir dos Santos Costa elogiou o trabalho e o empenho da organização do evento. “É muito gratificante ver o carinho com que a equipe da UEMS trabalhou para recebê-los. Sejam bem vindos ao nosso estado”, disse Fábio aos representantes de IES.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social da UEMS

Fotos: Adriano Boeno

“As Universidades públicas devem ser valorizadas”, afirma presidente da Abruem

A abertura do 63º Fórum da Abruem foi realizada na Universidade Estadual do Mato Grosso do Sul, em Campo Grande.

Durante a cerimônia da abertura do 63º Fórum da Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem), o reitor da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e presidente da Abruem, Haroldo Reimer, destacou a importância da valorização das Universidades públicas no Brasil.

O evento contou com a participação de representantes de 46 Instituições de Ensino Superior, a secretária de Estado de Educação, professora Maria Cecília Amendola Mota, o deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa, Junior Mochi, a presidente do Conselho Estadual de Educação, Eva Katayama, o secretário executivo da CNPq, José Ricardo de Santana, e o reitores do Conselho Regional de Instituições de Ensino Superior (CRIE-MS), professores Marcelo Turine (UFMS) e Luiz Simão Staszczak.

Para Haroldo Reimer, o tema “Diálogos entre Universidade e Sociedade” vai muito além de projetos de extensão realizados nas instituições de ensino. “Praticamente 90% de toda a produção intelectual do país é realizada nas Universidades públicas. Muitos das nossas escolas recebem alunos de família com vulnerabilidade social, e aqui eles constituem um local de realização de sonho. Muitos inauguram uma nova tradição da família, levando o primeiro diploma para aquela casa. Os nossos governantes deveriam saber que  chave do sucesso e do bem estar de um povo está na capacidade de agregar valores por meio de tecnologia e inovação. Não há caminho que não passe por boa oferta de educação”, afirmou Reimer.

O reitor da UEMS, professor doutor Fábio Edir dos Santos Costa lembrou a responsabilidade social da UEMS, frente ao desenvolvimento de MS. “A nossa Universidade nasceu e cresceu com uma forte vocação social. No inicio da década de 1990 nós éramos um estado pobre, carente de ingredientes básicos para o desenvolvimento, entre os quais eu destaco a falta de professores qualificados atuando especialmente nas cidades do interior”, explicou

De acordo com o reitor, foi nesse cenário que surgiu a UEMS, com pelo menos duas missões iniciais: a primeira, levar a educação superior ao interior, democratizando o acesso à universidade; segundo, qualificar a educação básica, formando professores capazes de transformar, pela capacidade técnica e pela sensibilidade humana, as realidades onde estavam inseridos. “Hoje, 25 anos depois,  é possível olharmos ao redor, respirar fundo, e constatarmos que temos cumprido estas missões, e muitas outras que se somaram ao longo do tempo”, disse Fábio Edir.

O Fórum de Reitores da Abruem acontece nesta terça-feira e quarta-feira (13 e 14), em Campo Grande, com a organização da UEMS.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social da UEMS. 

Fotos: Adriano Boeno

Reitores de IES associadas à ABRUEM discutem mobilidade em Campo Grande

O 63º Fórum da Abruem receberá 46 reitores de todas as regiões brasileiras

Entre os dias 12 e 14 de novembro, a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) receberá reitores de Instituições de Ensino Superior (IES) durante o 63º Fórum da Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem). Entre os assuntos em pauta no Fórum, está a mobilidade acadêmica, como um processo de alargando os horizontes do jovem estudante do Brasil.

O Fórum deve reunir 46 reitores buscando ampliar o seu relevante papel integrador. “O objetivo do Fórum é propiciar um espaço de encontro e discussão aos reitores das universidades associadas”, explica do Reitor da UEMS, professor doutor Fábio Edir dos Santos Costa.

Os debates, que são realizados em Câmaras Técnicas, terão o Programa de Mobilidade Nacional, como tema. O programa foi lançado em 2014 por iniciativa das IES associadas a Abruem, com intuito promover o intercâmbio estudantil e aproximar os programas de graduação das Instituições de Ensino Superior do sistema público estadual e municipal no Brasil. “A Abruem, acredita que a mobilidade estudantil abrirá as portas para o mundo, alargando os horizontes do jovem estudante, futuro profissional deste país, expondo-o a diferentes culturas, ao exercício do respeito aos costumes regionais e dos preceitos na formação da identidade nacional”, afirma o Reitor da Universidade Estadual de Goiás (UEG) e Presidente da Abruem, Haroldo Reimer.

Em 2018, 12 estudantes conseguiram participar do programa de mobilidade nacional. Para 2019, serão disponibilizadas 1267 vagas para mobilidade. Quanto à mobilidade internacional, a Abruem possui acordos com países como China, Chile, Cuba, Itália, Espanha, Portugal, Alemanha, Bélgica, Coréia do Sul, França, Canadá, Irlanda do Norte, Inglaterra, País de Gales e Escócia, Austrália e Hungria.

O Fórum da Abruem terá sua abertura no dia 12, às 20h, no auditório da UEMS, em Campo Grande, na Av. Dom Antônio Barbosa, 4155 – Vila Santo Amaro. As discussões em câmaras temáticas serão realizadas nos dias 13 e 14 de novembro.

Fonte: Assessoria de Comunicação da UEMS

Inscrições abertas para o Programa de Mobilidade Nacional da Abruem

Ao todo, são oferecidas 1.267 vagas no Programa para o semestre 2019/1. As inscrições podem ser feitas até 30 de novembro.

Estão abertas as inscrições para o Programa de Mobilidade Nacional (PMN) para estudantes de universidades afiliadas à Associação dos Reitores de Universidades Estaduais e Municipais (Abruem).

Ao todo, são oferecidas 1.267 vagas no Programa para o semestre 2019/1. As inscrições podem ser feitas até 30 de novembro.

Saiba quais as universidades estão ofertando vagas e os cursos que estão disponíveis no Edital 2019-1.

Os resultados finais serão divulgados entre 3 e 14 de dezembro. O início das aulas será de acordo com o calendário acadêmico das Instituições de Ensino Superior (IES) de destino.

O objetivo do PMN é proporcionar aos acadêmicos trocas culturais e contato com novas realidades em IES de outras cidades e estados brasileiros.

Seleção

Os estudantes que tenham interesse na mobilidade devem identificar quais das universidades oferecem os cursos nos quais eles estão atualmente matriculados. Confira a lista de cursos ofertados em cada instituição participante do programa no anexo único do Edital.

Com a escolha feita, o estudante deve entregar ao coordenador Institucional de Mobilidade de sua Instituição de Ensino Superior de origem os documentos exigidos para participar do PNM. A entrega pode ser feita pessoalmente ou por e-mail.

Os interessados devem apresentar um plano de estudos aprovado pelo coordenador do curso de origem, bem como uma carta de recomendação assinada pelo departamento da universidade de origem, para a IES escolhida.

A seleção seguirá a ordem de recebimento das inscrições.

Para outras informações, acessar a página eletrônica do Programa Nacional de Mobilidade da Abruem.

Assessoria de Comunicação Social da Abruem

Ex-reitor da UEMG é homenageado no 63º Fórum da Abruem

Sete ex-reitores e reitoras de instituições de Ensino Superior vinculadas à Abruem receberão a honraria, que é entregue desde 2006 

O 63º Fórum da Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem) será palco para homenagear, com Diploma de Associado Honorário da Abruem, sete ex-reitores e reitoras de instituições afiliadas. A honraria foi instituída em 2006 e é entregue aos professores e professoras que deixaram o cargo de reitor em suas universidades.

O objetivo é dar reconhecimento aos trabalhos de excelência desenvolvidos durante seus anos de reitorado. Os homenageados estiveram à frente das universidades entre 2010 a 2018. “O trabalho desses homens e mulheres foi imprescindível para elevar a qualidade da educação oferecida em suas instituições”, destaca o presidente da Abruem e reitor da Universidade Estadual de Goiás, Haroldo Reimer.

Confira um pouco da trajetória acadêmica de um dos homenageados:

Ex-reitor da UEMG será homenageado no 63º Fórum da Abruem. (Fonte: UEMG)

Dijon Moraes Junior

O ex-reitor da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG) entre 2010 e 2018 possui bacharelado, mestrado, doutorado e pós-doutorado em Design. Obteve seu título de Doutor junto à Universidade Politécnico Di Milano (Itália). De acordo com o professor, possui interesse tanto pela prática quanto pelos aspectos teóricos do design. Recebeu vários prêmios no Brasil, como o Prêmio Ouro IDEA Brasil e, por três vezes, o Prêmio Museu da Casa Brasileira de Design. Também teve suas pesquisas e trabalhos premiados na Itália, Taiwan e Japão.

Dijon Morais, que também foi vice-reitor da UEMG por quatro anos, é autor de vários livros, entre eles Limites do Design (1997), Análise do Design Brasileiro (2006) e Metaprojeto – o Design do Design (2010), publicados pelas Editoras Studio Nobel e Blücher de São Paulo. É membro de diversos colegiados e entidades nacionais e internacionais, como o Colegiado do Programa de Doutorado em Arquitetura e Cultura do Design da Università di Bologna e do Instituto de Investigação em Design, Mídia e Cultura ID+, de Portugal. Além de um dos fundadores da Rede Latina de Design, composta por países de língua e cultura latina da Europa e Américas.

As áreas de interesse do ex-reitor são: Teoria e Cultura do Design; Relação Local-Global; NICs – Newly Industrialized Countries; Sistema Design em APLs; Design, Território e Identidade Cultural; e Design Comparado. O professor ainda tem como áreas de interesse, Estudos Avançados em Design e Cenários Complexos, Design para a Sustentabilidade e Metaprojeto.

63º Fórum

O 63º Fórum da Abruem será realizado entre 12 e 14 de novembro em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. A Universidade Estadual do Estado do Mato Grosso do Sul será a realizadora do evento.

Este será o último Fórum realizado pela Abruem em 2018 e reunirá os gestores das instituições de ensino superior afiliadas para debater o tema “Diálogos entre Universidade e Sociedade”. Para o presidente da Abruem, Haroldo Reimer, o Fórum é um importante espaço de debate das Universidades Estaduais e Municipais.

Assessoria de Comunicação Social da Abruem, com informações da Plataforma Lattes

Argentina e Chile são escolhidos como destino da Missão Internacional da Abruem de 2019

O objetivo da missão do próximo ano é estabelecer convênios e intercâmbios com países da América Latina

A missão internacional da Associação Brasileira dos Reitores das Universidades Estaduais e Municipais (Abruem) de 2019 já tem destino: Argentina e Chile. O presidente da Abruem, Haroldo Reimer, e o secretário executivo da Associação, Carlos Roberto Ferreira, visitaram nesta semana as embaixadas dos dois países.

Em 2019 a missão tem como meta uma aproximação entre as Instituições de Ensino Superior chilenas e argentinas com as brasileiras. As visitas tiveram como objetivo estabelecer contato com as embaixadas para possíveis apoios nas definições práticas da missão, como elaboração de roteiro, agendamento de visitas, entre outras ações necessárias ao bom andamento dos trabalhos.

Durante as visitas, a Abruem foi recebida, na embaixada do Chile, pelo conselheiro-cônsul, encarregado de Assuntos Educacionais, Javier Eduardo Matta Manzano. Já na embaixada argentina a Associação foi recebida pelo embaixador, Carlos Alfredo Magariños, e pela ministra e chefe do departamento cultural do local, Maria Laura de Rosa.

Missão

A Abruem tem, dentre seus objetivos, o de promover ações que favoreçam a internacionalização de suas afiliadas. De acordo com Haroldo Reimer, nos últimos anos a Associação já promoveu missões de intercâmbio a mais de 15 países nos mais diferentes continentes. “Os resultados das missões sempre são convênios e acordos de cooperação que resultam em várias ações de intercâmbio entre nossas universidades e diversas instituições dos países visitados”, destaca.

A cada ano, os reitores das instituições afiliadas definem o país que se pretende visitar no ano seguinte, tendo por base a avaliação da possibilidade de concretizar o maior número de parcerias de ganho recíproco. As viagens são compostas de uma delegação de aproximadamente 25 reitores e representantes das Instituições de Ensino Superior associadas, cumprindo agenda previamente acordada e elaborada em parceria com a Embaixada do país a ser visitado, sempre com o conhecimento do Ministério das Relações Exteriores brasileiro.

Assessoria de Comunicação Social da Abruem

Universidades brasileiras censuradas

Em artigo publicado no portal da Andifes, o reitor da Universidade Federal do Paraná, Ricardo Marcelo Fonseca, destacou os episódios que ocorreram em diversas universidades brasileiras no dia 25 de outubro. A Abruem se mostra preocupada com o conteúdo da nota e se manifesta no sentido de reforçar a autonomia acadêmica e a preservação do espaço da universidade enquanto produtora de conhecimento autônomo e de fortalecimento da democracia.

“Sei que estamos num momento tenso, mas algo de muito grave vem acontecendo nos últimos dias que merece que paremos tudo e prestemos atenção agora: a nossa liberdade de expressão (que espero que sobreviva a estas eleições) está sofrendo restrições inauditas e as universidades estão sendo censuradas. É um processo que segue o modo como as restrições de direitos e a erosão das democracias modernas têm geralmente ocorrido: por meio do “normal funcionamento das instituições” e, neste caso em particular, por determinações da Justiça Eleitoral.

Alguns dos fatos mais recentes: no dia 23/10, fiscais do TRE do estado do Rio de Janeiro (aparentemente sem mandado judicial) foram até o campus para retirar faixas com dizeres como “Direito UERJ antifascista”, “Marielle presente” e “Ditadura nunca mais”. No dia 24/10 houve determinação para que fosse retirada do portal eletrônico da Universidade Federal de São João del-Rei uma nota do Reitor daquela instituição (que dezenas de universidades brasileiras fizeram de maneira similar, inclusive a nossa UFPR) “a favor dos princípios democráticos e contra a violência nas eleições”. Ontem, em 25/10, foi proibida aula pública na Universidade Federal de Grande Dourados intitulada “esmagar o fascismo”. E também ontem, 25/10, à noite, juíza eleitoral determinou a prisão do diretor da faculdade de Direito da UFF, o colega Wilson Madeira Filho, se não fosse retirada da fachada do seu prédio da Universidade uma faixa em que estava escrito “UFF antifascista”. Fatos como estes se repetiram em no mínimo dezessete universidades brasileiras nesta semana.

A justificativa jurídica que embasa estas ações é sempre a mesma: o art. 24 da Lei 9.504/1997, que estabelece a proibição de publicidade eleitoral em órgãos da administração pública (que é obviamente justificada e razoável). Mas a questão é: todas estas manifestações configuram mesmo “publicidade” para algum candidato? Essas manifestações justificam ações repressivas e de força? E sobretudo: isso justifica jogar na lata do lixo uma das liberdades fundamentais mais caras que conquistamos do ponto de vista civilizacional, a liberdade de expressão?

Claro que haverá aqueles que vão justificar tudo isso pelo citado artigo 24 da lei eleitoral. Mas quero questionar aos censores se esse artigo de lei ordinária tem o valor de mandamento escrito nas tábuas sagradas de Moisés. Quero saber que valor se dá para o direito de liberdade de expressão previsto em todos os tratados e convenções do direito internacional aos quais o Brasil aderiu e reconheceu (Declaração Universal dos Direitos Humanos incluída, conforme seu art. 19). Quero saber afinal o valor que se dá para a Constituição Federal, que prevê o pluralismo político como fundamento da nossa República, que prevê liberdade de expressão e de opinião independente de censura ou licença e que, importante não esquecer, prevê também autonomia das Universidades.

Será que esqueceram que não tínhamos essas liberdades até há bem pouco tempo e que consagrá-las e colocá-las no epicentro do nosso sistema foi penoso e custou caro, inclusive em vidas?

Quero questionar aqueles que restringem liberdades sem pudor e com facilidade desconcertante, se defender a democracia, ser contra a violência, expressar-se contra a ditadura e contra o fascismo é fazer “publicidade” a favor de algum candidato. Até onde sei, a retórica dos dois candidatos atualmente em disputa tenta se afastar nesta reta final da campanha de uma identificação com a ditadura, a violência ou o fascismo. Se essas manifestações são confiáveis ou não, cabe à sociedade ponderar, na arena política; não ao juiz eleitoral.

A pergunta então é: quem vestiu a carapuça? Porque as autoridades do Estado (que mandam apreender, retirar, prender) vão além do discurso oficial dos próprios candidatos e se apressam em reprimir e calar vozes até dentro das universidades?

Mas quero sobretudo invocar o bom senso: em qual mundo se pronunciar a favor da democracia, contra assassinatos, contra o fascismo ou contra a ditadura pode ser considerado como irregularidade jurídica na propaganda eleitoral?

É hora dos juristas se entrincheirarem, hora daqueles que prezam pelas liberdades se atentarem.

Não podemos permitir que se jogue fora aquilo que nos é mais caro e que deve ser perene, comum, sagrado: a manutenção da nossa liberdade de poder expressar o óbvio. Não podemos deixar que as universidades – lugares por excelência do livre debate, do pluralismo, da formação de cidadania – sejam amordaçadas e censuradas (vamos insistir em dar o nome certo às coisas!).

Ou nos levantamos agora contra isto ou permitiremos que se cravem no País cicatrizes que vão nos custar caro no futuro.”

Ricardo Marcelo Fonseca – Reitor da Universidade Federal do Paraná

Fonte: Andifes

Brasil: em diversidade e com democracia

Sem a democracia restará a barbárie. Sem a garantia de liberdades individuais e o respeito às regras mais elementares de convivência pacífica em sociedade perde-se parte fundamental dos laços que nos trouxeram até aqui como Nação.

Há mais de 800 anos, as Universidades se constituíram sob o signo da liberdade de pensamento e da busca por autonomia, fundando suas atividades, crescentemente, sobre a premissa da razão crítica e do método científico. As Academias nasceram para serem vanguardas do pensamento, projetando-se tantas vezes para além do seu tempo, contribuindo, assim, para o processo civilizatório.

No Brasil, as Universidades são um fenômeno relativamente tardio, mesmo em relação a vários países latino-americanos. Com sua emergência no cenário nacional, elas assumiram o papel de construir e socializar conhecimento, alavancar a ciência e a tecnologia e colocar o País em postos de destaque em muitas áreas do conhecimento.

Notadamente, as universidades públicas (federais, estaduais e municipais) cumprem este papel tão importante e caro à Nação. No conjunto, todas as instituições de ensino superior, independentemente de sua natureza jurídica, devem ser vistas como elementos importantes dentro de um sistema que promove avanços no campo da educação, com evidentes reflexos na pesquisa, tecnologia e inovação.

Nos últimos anos, as nossas Universidades têm sido vítimas de ataques à autonomia, aprofundando um processo de sucateamento e desmonte, que tem afixiado financeiramente a maioria delas em quase todos os Estados. No quadro geral das crises fiscais dos Estados, nem sempre tem se verificado a priorização da continuidade dos investimentos, não se fazendo jus à enorme e inegável contribuição que estas instituições prestaram e prestam para o desenvolvimento regional nos distintos Estados.

Mais recentemente, os ataques às Universidades têm ocorrido também no terreno essencial da liberdade de ensinar e aprender. Ações e agressões se espalham pelo País no sentido de ferir esta liberdade que é constitutiva, desde as origens, da instituição universitária. Tais eventos ferem de morte esta instituição secular.

No momento atual, percebemos a Nação brasileira esgarçada por uma disputa eleitoral e a sociedade sendo vitimada pela intolerância e pela repetição de práticas condenáveis em relação ao respeito pelo outro, à convivência tolerante e ao processo de construção democrática da sociedade. Com a percepção da alteridade e a convivência com o outro em suas idiossincrasias, emergiu e se mantém o modo democrático de viver em coletividade, colocando a justiça social como elemento norteador.

Sem a democracia restará a barbárie. Sem a garantia de liberdades individuais e o respeito às regras mais elementares de convivência pacífica em sociedade perde-se parte fundamental dos laços que nos trouxeram até aqui como Nação. Não podemos assistir impassíveis a tais práticas!

Queremos proclamar, de forma clara, que defenderemos com todas as nossas forças as conquistas históricas da democracia em nosso País e conclamamos a todos e todas a se juntarem a este propósito, nos diversos âmbitos de atuação. O ambiente universitário jamais poderá se tornar palco de intolerâncias e rupturas com os valores essenciais apregoados e defendidos como elos fundamentais de coesão nas sociedades modernas.

Defendemos e defenderemos o caráter público de nossas Universidades e com o mesmo vigor e a mesma veemência os valores fundamentais da democracia em nosso País!

Somente a educação crítico-reflexiva poderá nos levar a patamares civilizatórios mais elevados, honrando as melhores tradições de tantos educadores, educadoras, importantes intelectuais, artistas e cientistas. Assim, sobre o pressuposto da diversidade que nos constitui como povo brasileiro, em consonância com os fundamentos da República, podemos olhar para o horizonte e continuar construindo uma sociedade livre, justa e solidária, com desenvolvimento regional e nacional, com diminuição das desigualdades, promovendo o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e qualquer outras formas de discriminação.

Brasília, 22 de outubro de 2018.

Haroldo Reimer

Presidente da Abruem